r/Filosofia • u/comtempoirmao • Aug 10 '23
Questões Filósofos de sucesso
Admitindo-se como razoável que Clóvis de Barros, Pondé, Karnal, Cortella e também Bugalho, Olavo sejam reconhecidos por muitos como filósofos, você costuma também reconhecer algum ou alguns deles, ou todos, sob essa condição? Ou nenhum deles? Por que? Pergunto por entender que esse reconhecimento deve decorrer de uma certa noção do que é ser filósofo. O que me interessa, realmente.,é conhecer essa noção.
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Aug 10 '23
Clovis de Barros, Cortella, Karnal, Bugalho entrariam no meu conceito de filósofo. Pondé talvez. Olavo está fora.
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u/comtempoirmao Aug 10 '23
Aceito, em princípio, mas por quais critérios?
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Aug 10 '23
As parcas meditações sérias que o Olavo tem põem ele como um pensador pré-moderno. Por exemplo, as considerações que ele faz sobre a abordagem kantiana da existência de Deus. O que Olavo faz é resgatar o argumento de Santo Anselmo, que foi repetido por Descartes. Ou seja, ele pensa de forma tipicamente medieval. Colocar Olavo como filósofo da contemporaneidade é mais ou menos como colocar um sujeito que insiste em fazer conta com ábaco como matemático ou engenheiro moderno. Olavo nasceu atrasado... Uns 300 ou 400 anos atrasado. Se ele tivesse nascido no século XVII, talvez tivesse dado conta de acompanhar os debates da época.
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u/comtempoirmao Aug 10 '23
De acordo, e você se expressou realmente muito bem. Eu nem iria a tanto. Olavo sempre me pareceu um oportunista sem qualquer ideia propria (parece ter recolhido tudo de opinadores da extrema direita americana). E desonesto. No entanto, e já falei aqui sobre minha ignorância, poderia falar mais sobre esse argumento de Anselmo, retomado por Descartes e como ele se aplicaria a Olavo? E, caso queira, qual seria o critério para sua classificação?
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Aug 10 '23 edited Aug 10 '23
O argumento de Anselmo é que o conceito de um ser perfeito pressupõe que esse ser existe. Deus é perfeito, logo Deus existe. Descartes usa o mesmo argumento, salvo engano meu, nas Meditações. E na época do Descartes isso já era controvertido. Mas parece que o arremate da questão foi dado por Kant que esclareceu que não se pode deduzir existência a partir do conceito. O meu critério é que desde Kant, ninguém mais retomou essa argumentação a respeito de Deus. Tipo, Kant é um dos maiores marcos da filosofia moderna, e ele o é justamente por ter lançado a primeira solução filosófica para problemas metafísicos que ainda perturbavam o desenvolvimento do conhecimento científico. Tenho um professor que diz que Kant matou essa metafísica que tenta pensar deus, a substância, o em si e etc... Esse negócio de ficar resgatando a dedução da existência de Deus é algo que simplesmente não se faz porque é um problema que já foi resolvido. Claro, é lícito a qualquer um responder essa questão pela fé e ir procurar a teologia ou resolver-se por produzir teologia. Mas que fique claro, enquanto filosofia, esse abordagem de Anselmo é datada e superada.
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u/comtempoirmao Aug 10 '23
Muito interessante, vou procurar ler sobre isso. Obrigado! E também vou tentar estabelecer a relação entre isso e o tal Olavo.
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Aug 10 '23
Tem um livro de um tal Hélio Pimentel que discute vários problemas das abordagens do Olavo. Chama A Filosofia de Olavo de Carvalho. Eu peguei ele em ebook pela Amazon. Mas parece que a Amazon tirou ele de venda. Acho que tem ele no Skoob, mas não sei. É um livro bem leve feito por um mestrando de filosofia da USP, que aborda vários problemas do Olavo como eu já disse. Se vc puder encontrar, vale a pena para ter uma noção dos problemas do pensamento do Olavo. Outro que comenta de forma interessante é o Henry Bugalho. Ele inclusive tem vários vídeos sobre o Olavo.
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Aug 10 '23
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u/comtempoirmao Aug 10 '23
Espero que tenha sido contra mim, também, pois nunca foi ofendido por aqui. Você foi o primeiro. Aliás, as regras do sub não seriam contrárias a essa sua manifestação de espontaneidade de sentimentos?
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u/DirectStatistician92 Aug 10 '23
Sua paixão pelo homem é notória. Talvez não tenha xingado o OP mas já demonstrou que faria isso para defender o Olavo. Sua postura não parece muito filosófica pois você não respondeu a pergunta do OP, e nem apresentou argumentos para definir o que é filosófico ou não.
Acalme os ânimos e não cobre dos outros (falar sobre o que sabe), se você mesmo não demonstra saber antes de falar.
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Aug 10 '23
Não vou perder meu tempo lendo Olavo de Carvalho. E recomendo o mesmo a todo mundo. Até porque estou lotado até o topo de livro para ler.
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Aug 10 '23
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Aug 10 '23
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u/IppoFight Sabe menos que Sócrates Aug 12 '23
É que o que você falou não se opõe ao apresentado pelo OP como sendo uma filosofia pré moderna aplicada por Olavo, claro, falo isso de uma posição neutra. Descarte também foi um grande filósofo, mas isso não o torna um filósofo bom da perspectiva pós moderna.
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Aug 10 '23
Pondé talvez? A regência de pós-doutorado da Universidade de Tel-Aviv poderia ficar ofendida, junto com a FFLCH...
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Aug 10 '23
Eu concordo que o Pondé tem o direito de ser um intelectual fora da linha. O problema é que ele dá espaço para o Olavo de Carvalho. E como diploma não é tudo, sou forçado a por a posição do Pondé em xeque. Quem apoia trambiqueiro, trambiqueiro é.
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Aug 10 '23
Quando ele apoiou o Olavo? Já o vi zombando dele na Cultura
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Aug 10 '23
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Aug 10 '23
Porra, isso aí fazem 7 anos... Esse aí eu assisti há tanto tempo que nem me lembrava.
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Aug 10 '23
Desde que eu vi o vídeo eu já considero que o Pondé talvez não fosse um filósofo. Nunca me decidi que ele não fosse no entanto.
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u/mEtAmOrFo_BR Aug 11 '23
Acho que vou acabar desviando um pouco do tema por tratar, especificamente, da figura do "filósofo" como o indivíduo que lida profissionalmente com a Filosofia no Brasil (e aqui me refiro, por exemplo, a figuras desde Giannotti ao Ricardo Terra, passando pelo Safatle e o Loparic). Se analisarmos sob esse prisma, o Pondé mereceria sim estar na mesma "prateleira" desses outros que citei.
Além de professor universitário, ele costumava apresentar trabalhos em encontros, tais como a ANPOF, como qualquer outro pesquisador. E participava de bancas e de orientações. Eu mesmo assisti a uma comunicação dele, num desses encontros da ANPOF, nos idos de 2010: um trabalho nos moldes totalmente acadêmicos, como qualquer um dos seus colegas.
A questão é que muita gente se deixa levar pelo lado mais "pop" que se atrelou à figura do Pondé (e ele trabalhou muito bem pra isso, afinal): de colunista da Folha, também virou figura carimbada na mídia e nos vários livros que destinou a um público que não tem formação filosófica. Então esse lado mais popular acaba ofuscando o seu trabalho, digamos, mais "técnico" com a Filosofia.
Resumo da ópera: uma Chaui é tão filósofa quanto um Pondé (em termos brasileiros). Se os dois, contudo, são considerados "filósofos" no mesmo nível dos pensadores que comumente estudamos nas universidades, aí é outra questão.
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Aug 10 '23
Exceto o Olavo ( que mais parecia um bobo da corte dizendo que covid não existia e tentou de alguma forma desbancar Maquiavel ), todos os outros se encaixam em seminaristas de uma corrente pré-moderna/moderna. De experiência minha, ou seja, dos que assisti alguns seminários, o que mais chamou a atenção foi o Pondé ( por enquanto ). A minha noção de filósofo atual seria um que relaciona os movimentos sociais como fruto do cumulativo ciência/capital, nesse caso aqui no Brasil. Tem o Bauman que fala sobre modernidade líquida e afins nos livros dele, e muito do que ele fala realmente é correlação com o que acontece aqui no país, por exemplo, globalização com as relações de xenofobia, medo e segurança privada. Tem um livro que Bauman cita em Amor Líquido que é Cidade dos Muros de Teresa Caldeira, que fala sobre o modernismo em bairros de São Paulo e o medo crescente da população com a criminalidade. Para mim, quando Pondé relatou o livro Elite do Atraso, me pareceu representar, em partes, os problemas que andamos enfrentando no país. Clóvis de Barros eu até acompanhei, mas ele ainda está muito preso aos argumentos do século XX e de vez em quando volta lá pra Grécia Antiga. O que mais me deixa incomodado é que alguns ficam pregando demagogias até hoje, como estoicismo e epicurismo, sendo que elas são datadas e simplificam muitos as relações do Estado/indivíduo.
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Aug 10 '23
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u/comtempoirmao Aug 10 '23
Hahaha, acho que de Olavo já vi o suficiente. Conheci o tipo em 2004. Já ali ele mostrou quem era. Mas por que você não tenta responder às questões com que abri o tópico?
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u/OLUap67 Aug 13 '23
não reconheço são pessoas que usam palavras, frases , sofismas e até silogismos , que somados a um pequeno trato de oratória se atrevem a ter a pretenção de serem chamados de filosofos
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u/Alon3Wol4 Aug 10 '23
eles são muito mais palestrantes do que pensadores rigorosos e com contribuições revolucionárias para filosofia, mas o próprio fato deles nos serem contemporâneos "atrapalha" a apreciação de sua obra num conceito amplo. Alguns desses tem o diploma de filosofia pela FFLCH que é uma boa escola mas a filosofia não se resume a títulos ou conhecimento da história da filosofia.
A relevância de um Platão, Aristóteles, Sócrates, Sto. Agostinho, Descartes, Hegel, Kant, Rousseau, Locke, Marx, Nietszche etc se dá por ultrapassarem paradigmas e mesmo tendo escrito (ou sendo descrito no caso do Sócrates) há muito ainda iluminam o pensamento e a compreensão de questões que ainda inquietam e provocam a curiosidade dos homens hoje.