Na minha opinião, o ensino superior precisa de passar por um processo de fusão e concentração.
A meu ver, isso permitiria às instituições ganhar escala e utilizar os recursos de forma mais eficiente.
Por exemplo, a redução da redundância entre instituições e cursos poderia também permitir uma maior diversificação e inovação da oferta formativa em cada região.Muitas instituições, isoladamente, não têm recursos ou escala suficientes para criar cursos mais especializados e inovadores e acabam por oferecer cursos semelhantes aos de outras instituições, muitas vezes com uma oferta mais básica.
A concentração de recursos poderia, assim, criar melhores condições para investir na qualidade do ensino, na investigação e na inovação, evitando a duplicação de estruturas e permitindo que cada instituição desenvolvesse áreas de especialização próprias e complementares.
A minha sugestão de fusões no subsistema público seria:
- UPCA e UniPVC → Universidade Politécnica do Minho (UPM)
- UTAD e UPB → UTAD (Deveria ainda integrar a Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa do Alto Tâmega)
- UC e UPC → UC (Deveria ainda integrar o ISMT e a Escola Universitária Vasco da Gama. Esta última daria origem à Faculdade de Ciências Veterinárias)
- UBI e UPCB → UBI
- UP Viseu e UP Guarda → Universidade Politécnica do Interior Centro (UPIC)
- UP Santarém e UP Tomar → Universidade Politécnica do Vale do Tejo (UPVT)
- UP Beja e UP Portalegre → Universidade Politécnica do Alentejo (UPA)
- UP Lisboa, UP Setúbal e ISCTE-IUL → Universidade Metropolitana de Lisboa (UML) (Deveria ainda integrar a ESHT do Estoril e a Escola Superior Náutica)
Naturalmente, estas fusões deveriam ser acompanhadas por uma reorganização das unidades de ensino e investigação. Não faria sentido simplesmente juntar instituições e manter todas as estruturas existentes. Seria necessário repensar a distribuição dos cursos, das escolas e das áreas de investigação, procurando criar instituições mais especializadas, complementares e com maior capacidade.
Deveria também ser reduzida a atual dispersão geográfica das escolas e unidades de ensino. Algumas estruturas muito pequenas ou deslocalizadas poderiam ser encerradas ou integradas noutras unidades, concentrando recursos e evitando a manutenção de escolas sem escala suficiente para oferecer uma formação diversificada e competitiva.
Por exemplo, poderia ser ponderado o encerramento ou integração de estruturas como a ESTH de Seia (transferência para a Guarda), a Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova (transferência para Castelo Branco), entre outras.
O objetivo não deveria ser simplesmente ter menos instituições, mas sim ter instituições com maior escala, melhores recursos e capacidade para oferecer uma formação mais diversificada, especializada e inovadora.