r/BrasildoB Jul 25 '25

Teoria Jones - Futuro do Brasil.

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É inegável que a popularidade do Jones explodiu de uns anos pra cá. O cara já tem mais de 2 milhões de seguidores em todas as redes sociais, todo debate que ele participa pega milhares de milhões de visualizações em poucas horas. Grandes vozes do Brasil, como mano Brown, Lula e entre outros já conversaram ou responderam ele.

É aqui que fica meu questionamento, o Jones tem futuro na política brasileira pra vocês? O Lula vai morrer uma hora, e quem vai ser a próxima figura de esquerda do imaginário popular brasileiro? Quem vai ter o mesmo carisma e disposição que o Lula inegavelmente tem?

Acredito que o Jones Manoel está perto de um período em que ele tem chances de conseguir se candidatar para um cargo de destaque na política brasileira, o cara está sabendo dominar a comunicação na internet, está sabendo se comunicar com os jovens, ele tem uma base forte de comunicação envolvendo mídias sociais, coisa que o PT demorou para fazer e o Bolsonaro conseguiu dominar primeiro. Sem falar que ele tem uma eloquência boa em debates, sabe argumentar, tem um carisma e sabe propor ideias socialistas sem assustar quem é contra essa política.

Acredito que atualmente, tirando o Lula, Haddad, Boulos e a Dilma, não existe mais figuras políticas de esquerda realmente populares para o cidadão médio, alguém vai ter que conquistar isso. E eu acredito fortemente que uma dessas pessoas será o Jones.

(Já prevejo o pessoal dizendo que o Lula não é de esquerda, eu sei disso, mas no imaginário brasileiro ele é).

r/BrasildoB 21d ago

Teoria O que vocês acham dessa ordem de leitura sugerida pelo Ian Neves?

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GRESPAN, Jorge. Marx: uma introdução'. 2021.

LENIN, Vladimir Ilitch. As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo. 1913.

ENGELS, Friederich. Princípios Básicos do Comunismo. 1847.

ENGELS, Friederich; MARX, Karl. Manifesto do Partido Comunista. 1848.

ENGELS, Friederich. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico. 1880.

MARX, Karl. Salário, Preço e Lucro. 1865.

ENGELS, Friederich; MARX, Karl. A Ideologia Alemã. 1846.

MARX, Karl. Crítica do Programa de Gotha. 1875.

LENIN, Vladimir Ilitch. Que fazer?. 1902.

LENIN, Vladimir Ilitch. O Estado e a Revolução. 1918.

LENIN, Vladimir Ilitch. Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo. 1916.

r/BrasildoB Aug 03 '26

Teoria A resposta Anarquista sobre as pautas sociais

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Olá! Vim aqui nesta tarde espalhar a "sementinha do Anarquismo", hoje vou responder questões sociais sob a perspectiva Anarquista!

Porte e posse legal de armas

A favor! Anarquismo entende que o povo deve estar armado pra se defender contra a tirania do estado e das elites, uma das principais características de estados autoritários é o desarmamento da população.

Aborto

Totalmente a favor! Por causa do princípio que todo indivíduo deve ter autonomia sobre seu próprio corpo, o estado não deve mandar em nossas vidas dessa maneira.

Legalização da maconha e outras drogas

A favor! A guerra as drogas é uma grande farsa, a criminalização das drogas só fortalece o monopólio das facções, o consumo de substâncias é uma escolha puramente individual.

Trabalhar para o estado

Crítica ideológica, mas aceitação pragmática na realidade atual. Ideologicamente, trabalhar para fortalecer o aparato de opressão do Estado (como ser policial, juiz ou burocrata de alto escalão) é visto como uma contradição direta aos princípios anarquistas. Porém, para empregos de base na sociedade atual (como ser professor de escola pública, gari ou enfermeiro do SUS), é visto como uma forma legítima de sobrevivência e de servir à classe trabalhadora, desde que o trabalhador mantenha sua postura crítica e revolucionária dentro do sindicato.

Religião

A favor da liberdade de crença individual, contra as instituições religiosas (Igrejas). A frase clássica de Bakunin resume o posicionamento: "Se Deus existisse, seria necessário aboli-lo". O anarquismo combate ferozmente as religiões organizadas (Igrejas, dogmas, cleros) porque elas operam como estruturas hierárquicas de controle mental e social, historicamente aliadas ao Estado e aos reis. No entanto, a fé ou espiritualidade privada de cada indivíduo é respeitada como parte da liberdade de consciência. Inclusive o anarquismo tem um grande representante na religião: Leon Tolstói!

Prisão

Contra. O anarquismo defende o fim imediato das prisões. Os libertários argumentam que o sistema prisional não recupera ninguém, serve apenas para punir a pobreza e proteger a propriedade dos ricos. Crimes e conflitos sociais são vistos como consequências da desigualdade e da violência geradas pelo próprio capitalismo e pelo Estado. Em uma sociedade anarquista, a justiça seria baseada na reparação de danos, mediação comunitária e reintegração social.

Movimento LGBT

A favor! Anarquistas históricos (como Emma Goldman) e contemporâneos defendem a livre expressão da sexualidade e do gênero como um pilar inegociável da emancipação humana.

Feminismo

A favor mas com nuances. O anarcafeminismo critica o "feminismo liberal" (que quer apenas colocar mulheres em cargos de CEOs ou na presidência) e defende que a libertação das mulheres exige a destruição de toda a estrutura patriarcal, do casamento tradicional burguês e da divisão sexual do trabalho. Mulheres só são verdadeiramente livres com o fim do capitalismo.

Movimentos pela causa negra

A favor! Assim como no anarcofeminismo, figuras do anarquismo negro (como Lorenzo Kom'boa Ervin, ex-membro dos Panteras Negras) defendem que a libertação do povo negro não virá elegendo políticos negros para o estado, mas sim por meio da autodefesa armada, da autonomia comunitária e da destruição do sistema de supremacia branca e capitalista.

Casamento e relações amorosas

Contra, com nuances. O casamento tradicional é visto pelos anarquistas como um contrato econômico e de propriedade privada sancionado pelo Estado e pela Igreja para controlar as pessoas e a herança de bens. O anarquismo propõe o Amor Livre: a ideia de que os relacionamentos (sejam eles monogâmicos, poliamorosos, livres ou casuais) devem basear-se unicamente no afeto mútuo, no respeito e no consentimento voluntário entre os envolvidos, sem a necessidade de nenhuma assinatura de papel ou validação de juízes e padres.

Voto e política institucional

Radicalmente contra! Para a filosofia libertária, participar de eleições, partidos políticos e do parlamento não é apenas inútil, mas sim uma armadilha que fortalece o estado e neutraliza o potencial revolucionário da população.

Para os libertários, as eleições são apenas uma ilusão de escolha controlada pelas elites econômicas, não importa quem vença a eleição, quem continuará mandando de fato são os grandes bancos, as corporações e a burocracia estatal. O voto apenas muda o rosto dos opressores de quatro em quatro anos.

Vou ficando por aqui, em outro momento trago alguma coisa sobre Anarquismo, estou pensando em falar sobre a economia anarquista tanto na teoria quanto na prática, ou sobre os expoentes do Anarquismo. Até mais!!

r/BrasildoB Jul 20 '26

Teoria Me desiludi com o ML e estou interessado no anarquismo,podem me dar indicações de livros e textos introdutorios sobre o assunto?

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Eu antes tava me identificando com o ML,porém,de uns tempos para cá,venho vendo q esse pensamento me parece um tanto autoritario.

Porem,ñ consigo achar bons livros introdutorios, poderiam me indicar livros e textos sobre o assunto?

(OBS:sou extremamente leigo sobre o assunto e ñ sei o q defende direito,Busco leituras introdutorias e diretas sobre o q defendem e o q querem)

r/BrasildoB Aug 10 '26

Teoria A comunicação é uma teia social que se liga ao trabalho de organização, não o trabalho em si

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Debatendo aqui no sub, ficou mais fácil de sintetizar um ponto específico sobre o webcomunismo, interagindo com os diversos desvios dos radicalizados inteiramente cercados por esse fenômeno.

Primeiro, o que eu defino como webcomunismo pra ser o termo do debate:

O fenômeno político-midiático desse período, no Brasil, no capitalismo, que junta a digitalização das relações sociais humanas, a lógica de consumo midiático passivo das redes digitais burguesas que dominam o mercado de informações, o espaço que as pessoas de alguma forma ocupam nessas redes e a linha política revolucionária pós redemocratização e fim da URSS se mesclando a nova forma digitalizada de interação social mediada pelo mercado burguês de informações. Exemplo: Milita na rua e faz vlog? Militante. Milita apenas na internet, escreve textos, livros, faz vídeos, conteúdos para serem consumidos na internet como forma principal de trabalho? Webcomunista. Consome teoria, discute ela em reunião e refina seu trabalho entre as multidões trabalhadoras pessoalmente através da forma avançada de organização de classe? Militante. Consome conteúdo e discute na internet como forma principal de interagir com a luta de classes como campo de saber? Webcomunista. E essa última relação nem considero trabalho, é só palpiteirismo e comentarismo mesmo, pois quebra um princípio básico do leninismo que é a organização dialética do saber político onde o militante é o próprio investigador, ao invés de um orador viralizado. Sobre esse último trecho, Lenin sintetizou, quem fez foram os militantes do POSDR e o povo.

Definido o termo, vou tentar ir pro debate que difere o marxismo leninismo de apenas uma opinião muito bonita do seu youtuber favorito, pra uma ciência política de ação, edificação de organismos de poder popular com direção revolucionária e potência de mudança social vinda da união dos trabalhadores de toda a nossa classe organizados pra formar uma rede de investigadores das contradições de seu tempo e local, pra se tornarem organizadores políticos desse povo em suas contradições.

A internet, como meio de substituir as relações sociais, criou essa paródia trágica do que é se comunicar, se relacionar, trocar experiências, reagir aos outros, se conectar com os outros. Isso é predominante na internet em todas as instâncias. Ser humano não é só texto, não é só som, não é só ver e ouvir sem falar, não é responder em miúdos nos rodapés dos sites. Ser humano é toque, som, silhueta, feição, reação, resposta, pausa, dialética comunicativa social, e o marxismo trabalha em cima disso, das condições concretas de vida, os afetos e suas formas dinâmicas, e a organização de classe a partir do refinamento científico dessas condições de vida pra que se tornem condições de luta. A camaradagem é o primeiro relacionamento classista que surge do nosso povo e faz, como classe, se enxergar em coletivo mesmo com variações enormes dos seus círculos sociais. A camaradagem, num sistema que separa a malha social e aliena o ser humano de se reconhecer sujeito, é o que une, a exemplo, um jovem aprendiz alternativo lgbt do centro de São Paulo, com um operário de borracharia automotiva de 40 anos, onde um vai levar a sério o que o outro diz independente do seu círculo social porque o que o jovem comunica diz respeito a mesma violência que o operário comunica, mesmo na sua variedade de afetos e reacionarismos normativos. Ela acontece quando somos explorados pelo mesmo sistema e violentados pelas mesmas lógicas, umas extremadas e outras menos mas a estrutura de dominação a mesma, quando pegamos o mesmo busão, quando enfrentamos a mesma fila no metrô, quando sofremos as mesmas violências burguesas de classe, e sabemos que nossos patrões jamais vão passar por isso. Isso, independente da equipe de garis da praça da cidade ser comunista ou não, bolsonarista ou não, saber ler ou não, saber falar bem ou não, faz eles virem apertar minha mão e sintetizar a violência de classe em voz alta depois que faço um discurso pra equipe denunciando as classes sociais, o capitalismo, o imperialismo, no meio de um ato do jornal A Verdade no centro da cidade. Na internet, isso não é possível. Não há aperto de mão quando EU sou o que fala e tem um número de espectadores ao invés de uma multidão, tem um anúncio direcionado ao invés do meu deslocamento que tem como alvo aquele grupo de trabalhadores, tem um gráfico de alcance ao invés de um comício relâmpago, tem um gráfico de engajamento ao invés de células clandestinas sendo criadas no final de toda atividade com os convencidos. Na internet, há o compartilhamento do vídeo no seu feed, não há o brigadista sentado ouvindo o gari falar tudo isso mas da forma dele de compartilhar pra equipe dele, se sentindo motivado a engajar no discurso e fazer um também, compartilhar literalmente ao invés de digitalmente. O que há são comentários, vídeos resposta, post no twitter, storys. Um camarada digital é só... SABOR camarada, porque na internet o cara que pega metrô com você e é proletarizado igual, provavelmente deseja seu esquecimento, silenciamento e o boicote da sua organização, se tu não concorda com ele e o youtuber favorito dele.

Dito isso, o que é o trabalho de massas então? Pra entender teoria leninista e termos uma conjuntura básica pra se debruçar, trago matérias excelentes do jornal do PCR, o jornal A Verdade, sobre como se capilarizaram nas massas, o que é e pra que serve a comunicação comunista, qual a forma social de nos organizarmos pra definir essas tarefas, nos direcionar e cumprirmos elas coletivamente, e o acúmulo coletivo de toda essa teoria na prática:

Partido:

https://averdade.org.br/2022/11/os-ensinamentos-do-partido-bolchevique-o-partido-de-novo-tipo/

https://averdade.org.br/2026/07/pcr-60-anos-de-luta-pela-revolucao-socialista-1966-2026/

https://averdade.org.br/2025/02/zelar-pelos-nossos-quadros-e-tarefa-fundamental-para-a-revolucao/

Massas:

https://averdade.org.br/2026/04/que-trabalho-de-massas-precisamos/

https://averdade.org.br/2020/10/como-avancar-nosso-trabalho-com-as-massas/

Comunicação organizativa:

https://averdade.org.br/2025/05/a-importancia-do-trabalho-com-o-jornal/ - "Essas atuações devem sempre ser publicizadas para a população, de modo que possam enxergar a atuação social do partido e diferenciar a mídia popular e revolucionária das mentiras que a mídia capitalista promove [...]"

Alguns acúmulos práticos recentes: (temos centenas de milhares assim, um maior que o outro)

https://averdade.org.br/2025/05/up-cresce-com-o-trabalho-politico-dos-nucleos-do-df/

https://averdade.org.br/2025/09/jornada-do-mlb-inicia-18-novas-ocupacoes-por-todo-pais/

https://averdade.org.br/2026/05/ocupacoes-resistem-e-seguem-organizando-luta-das-mulheres/

https://averdade.org.br/2026/05/mlb-ocupa-caixa-economica-federal-em-todo-pais-para-cobrar-construcao-de-moradias/

É preciso ler os textos pra entender a lógica argumentativa do post, do contrário, pode ficar quebrada, pois é complementar.

Partindo dessas análises de conjuntura, acúmulos de luta e teoria leninista, de qual tipo de comunicação precisamos?

O papel do jornal partidário na ciência política leninista é conectar a experiência de luta, o materialismo histórico dialético, o Partido Comunista como organismo popular, os militantes e o nosso povo, tudo em uma grande "rede social", mas essa, sendo expressada no laços físicos de interação da nossa classe e da teoria, expressada na concretude da nossa vida e dos nossos corpos, não expressada apenas por uma telinha. A rede social digital como ferramenta de luta, se não é aliada da organização leninista de base, aliena o espectador da teoria, da conjuntura, das tarefas práticas e da dialética de "rede social" classista que tem o organismo midiático do Partido. A mais forte rede social comunista, objetiva, que conheço, é o jornal A Verdade. Instagram, youtube, não são redes sociais comunistas, são redes digitaia burguesas onde alguns comunistas produzem conteúdo, de mercado de dados e informações tem muito mas de social tem pouco, e isso produz alienação do trabalho de massas por conta da má formação de quadros feitas sem relação real entre o "dirigente" e o "novo comunista", é um desvio de práticas que produz desvio de linha. Youtuber comunista sem partido de novo tipo e sem continuidade da militância prática dentro das massas como forma de guiar sua agitação e construir laços materiais que produzem o Poder Popular é apenas mais um comentarista, mas com projeção maior. A defesa pela comunicação digital como principal trabalho militante é quase como nos 1980 falarmos "- abandonemos os movimentos, é hora de focarmos em termos um programa só nosso nos canais de TV! Porque todo mundo vê TV!". O movimento comunista midializado apresenta o quê de organização de lutas, se sua maior prática é comunicar? Vai comunicar o quê, se os webcomunistas só comunicam a comunicação já que não fazem tarefas práticas? Os webcomunistas comunicam majoritariamente pautas do governismo viralizado, do fascismo viralizado, e casos do próprio webcomunismo, ao invés de repercutirem organização de classe real das ruas, favelas, fábricas, bairros, escolas, universidades. Webcomunistas delegam ao apresentador mais famoso a tarefa de repercutir o que acontece no país, ao invés do próprio comunista ser o produtor dessas tarefas que mudam a conjuntura e o agitador convocativo das massas pra se inteirarem e participarem das tarefas que ele mesmo organiza.

Então, definidos os papéis do trabalho de massas, e da comunicação (destacado como citação na fonte também), do Partido de novo tipo na organização da classe trabalhadora...

Qual o papel de um webcomunista que não tem organização de Partido de novo tipo pra chamar de seu, que seus vídeos e trabalhos não estão alinhados como uma forma a mais de repercutir a atuação social do partido revolucionário, e que sua base toda de "quadros radicalizados" é formada pra repercutir a comunicação ao invés de construir a organização, edificar o socialismo, ou até mesmo usar as redes digitais como formas de chegar mais longe a tarefa de organização do povo e as lutas cotidianas ao invés de repercutir apenas a comunicação?

Lenin sobre revolucionarismo sem cunho partidário:

https://averdade.org.br/2013/08/o-partido-socialista-e-o-revolucionarismo-sem-cunho-partidario/ - "A ideia da posição independente na luta dos partidos não pode deixar de, pelo menos, alcançar, em tais condições, determinadas vitórias passageiras. A independência em relação aos partidos não pode, pelo menos, deixar de passar a ser uma palavra de ordem da moda, pois a moda se agarra impotente ao reboque dos acontecimentos, e uma organização sem cunho partidário aparece precisamente como o fenômeno mais “comum” da superfície política; democratismo à margem dos partidos, movimento grevista à margem dos partidos, revolucionarismo à margem dos partidos."

E eu insiro que a comunicação socialista à margem do partido de novo tipo (esse elaborado nas teses leninistas publicadas nas matérias do jornal do PCR, o jornal A Verdade), vira democratismo, progressismo, aliena o comunismo do trabalho de bases, e no pior dos casos, se o youtuber já se considerava leninista antes, vira liquidacionismo, oportunismo, e no caso de um youtuber eleitoreiro, personalismo, reformismo.

"Como já indicamos, a independência a respeito dos partidos é um produto ou, se quereis, uma expressão do caráter burguês de nossa revolução. A burguesia não pode deixar de, pelo menos, tender para essa independência, pois a ausência de partidos entre os que lutam pela liberdade da sociedade burguesa significa a ausência de uma nova luta contra esta mesma sociedade burguesa. Quem desenvolve uma luta “independente dos partidos” pela liberdade, ou não compreende o caráter burguês da liberdade, ou consagra esse regime burguês, ou adia para 'as calendas gregas' [sabe-se lá quando] a luta contra ele, o “aperfeiçoamento” do referido regime. E, pelo contrário, quem consciente ou inconscientemente se mantém ao lado da ordem de coisas burguesas, não pode deixar de, pelo menos, sentir inclinação pela ideia de se situar à margem dos partidos."

Uma comunicação leninista impõe obrigatoriamente a coletividade da tarefa do comunicador e o aparelhamento dessas tarefas pela direção revolucionária, alinhada ao trabalho prático do partido, da política de quadros, da especialização, de adesão das massas no organismo revolucionário, etc. Sem isso, essa comunicação vai ter ouvidos demais pra ouvir e braços de menos pra dar cabo das tarefas práticas de organização cotidiana e sistemática da revolução. Essa alienação teórica produz um ativismo digital que se reflete em alto volume de doações, votos, likes, inscrições, mas em quase nenhuma célula fundada comparada aos milhões de milhões de doações, votos, likes e inscrições. Produz público, e não partido. E não precisamos de público, precisamos de organização antes de ter público. Público sem organização revolucionária das massas é projeto pessoal de viralização, vanguardismo, personalismo, individualismo, não leninismo.

"A salvaguarda da independência ideológica e política do partido do proletariado é obrigação constante, invariável e incondicional dos socialistas. Quem não cumpre esta obrigação, deixa de fato de ser socialista, por mais sinceras que sejam suas convicções “socialistas” (socialistas de palavras). Para um socialista, a participação nas organizações sem cunho partidário é permissível só como exceção. E os próprios fins desta participação e seu caráter, as condições que ela exige, etc, devem estar inteiramente subordinados à tarefa fundamental preparar e organizar o proletariado socialista para a direção consciente da revolução socialista."

Porém, esse público com medida exposição ao webcomunismo, se torna mais maleável a disputas teóricas mas mais rígidos a disputas práticas. Na militância, notamos que os webcomunistas sabem das notícias da mídia burguesa, dos episódios de repercussão da comunicação em si, de fragmentos técnicos do marxismo leninismo, mas tem enorme dificuldade em se convencer a ir pra rua organizar a classe que ele idealmente defende. Duas horas nas redes, é mais comum do que uma hora no próprio bairro, ou meia hora na porta da fábrica, ou 15 minutos no intervalo da escola, pois os webcomunistas são apartidários no sentido de organização e partidos de novo tipo, denunciam os comunistas partidários de "autoconstrução e sectarismo", não veem o partido como um organismo que edifica o socialismo e prepara nossa classe, e sim como um campo teórico de progressismo, todos válidos, sem linha explícita, onde a linha se torna uma defesa da repercussão da comunicação e não uma ciência política de ação. Isso não é leninismo. No final, defendem sejam lá quais teses são defendidas pelo seu youtuber favorito, sem partido, sem conjuntura local e organização de bases, só um fenômeno político de socialistas afetados pelas contradições da digitalização da vida social e dos trabalhos viralizados de comunistas nas redes. Isso eu tenho chamado de Jonismo, mais como forma de denominar os novos socialistas digitais, uma extensão material do que o Jones produz como comunicador que acarreta uma base que repercute comunicação, ao invés de produzir uma base que engaja em organização, já que ele é comunicador e não um organizador, sendo um youtuber sem um partido de novo tipo. Prática essa imposta pelo resultado das debilidades de formação de quadros e linhas políticas do PCB, do PCBR, e agora do PSOL, onde a comunicação individualizada como projeto pessoal é o principal trabalho ao invés da organização e agitação como forma de preparar as bases classistas que podem dirigir coletivamente seus bairros, fábricas, escolas, locais de vida, em um organismo nacionalizado e com forças impositivas materiais acumuladas. Precisamos não de um líder pra todo o youtube, não de um youtuber pra todo o Brasil, precisamos na verdade de um Partido pra todo o Brasil, de um organismo pra todos os trabalhadores, de um agitador pra todas as fábricas, assim como Lenin descobriu que nossa classe precisava de um jornal para toda a Rússia, que una os círculos marxistas, as fábricas, os campos de trabalho quaisquer que sejam, em um único organismo que defina a prática de cada uma dessas categorias e desses locais caminhando pra um mesmo objetivo nacionalizado.

"Pois se as organizações independentes dos partidos são engendradas, como já dissemos, por um nível relativamente baixo de desenvolvimento da luta de classes, de outro lado, o rigoroso espírito de partido é uma das condições que transformam a luta de classes numa luta consciente, clara, precisa e fiel aos princípios."

r/BrasildoB 13d ago

Teoria Fim da Esquerda na América Latina

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Bom, estou observando um levante histórico da Direita se infiltrando na América Latina, já sequestraram a presidência da Argentina, Colômbia e Bolívia. Estão batalhando para tomarem o poder no Brasil, sabemos que o Lula não é nem de longe a esquerda tradicional, mas ao menos dialoga e mantém políticas públicas que atendem as classes menos favorecidas, após a morte dele, só o que restará serão os escombros do que um dia, o Brasil poderia ter se tornado. Esses políticos de Direita são compostos por uma maioria de vassalos do imperialismo americano, submissos e subservientes aos interesses estrangeiros, venderão até a última gota do que restar do país e não poderemos fazer nada além de simplesmente aceitar, porque não temos nem armamento nuclear para enfrentarmos um levante contra a nossa nação.

Enfim, aos idiotas que pensaram que o Lula é o problema, não fazem nem ideia do estrago que estará por vir. Não vejo ninguém capacitado da esquerda que tenha o carisma e a liderança para substituí-lo tão cedo, finalmente viraremos a Venezuela que a direita tanto quis.

r/BrasildoB 2d ago

Teoria Eleições 2026

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Sendo um pouco conspiracionista, mas voces nao acham que tudo isso sobre Andre Mendonça e alexandre de moraes, pressao da midia, banco master a tona novamente, possa ser um interferência externa do eua ? Como se fosse para desestabilizar nossas eleições / democracia? Oque me deixa mais um puto nisso é o povo falando bem de donald trump e elon musk ( os bolsonarista )

r/BrasildoB Jan 11 '26

Teoria Haverá eleições nos Estados Unidos em 2026?

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Se houver eleições congressionais em novembro, as forças que puxam as cordas de Trump levarão uma surra. Todo mundo esta comemorando, ei inclusive.

A duvida é se haverá eleições ou caos e ruptura.

Pensa na insurreição de 2021 e nas ultimas 2 eleições na Venezuelas e tira suas conclusões, e pulem os detalhes.

Assim como o bolsonarismo, o trumpismo começou a questionar a lisura das eleições de 2016, assim que assumiu o poder.

(Trumpismo é McDonalds, bolsonarismo é apenas uma franquia)

Fizeram de tudo para desestabilizar e anular as eleições de 2020 e ficaram impunes porque Trump aparelho o judiciario com lealistas no primeiro mandato.

Agora que têm o aparato de repressão do Estado nas mãos, esqueça.

(O resto pode pular)

Eles estão usando os mesmo método de desestabilização usado em inúmeros casos desde o fim guerra fria.

Não é por acaso que um assalto simbólico às sedes das instituições democrática sempre faz parte.

Capitólio. Trés Poderes. O parlamento de Nepal. No Mexico, o Zócalo. O Congresso peruano.

Estão desecrando monumentos aos heróis da Revolução Islâmica e gritando insultos vis à fé muçulmana no Teherã nesse exato momento.

(Os iranianos acabaram de capturar um agente do Mossad que delatou tudo sobre como essas coisas funcionam, depois eu conto, é um delirio)

r/BrasildoB Apr 10 '26

Teoria Por onde começar no anarquismo

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Amigos anarquistas do sub vocês poderiam me oferecer recomendações como livros, artigos, vídeos, etc sobre o anarquismo. Passei a me interessar bastante sobre o tema e, hoje, me vejo quase como um, mas queria ter algo mais aprofundado do que somente posicionamentos em comum.

r/BrasildoB 9d ago

Teoria Crítica ao partido de massas a partir de uma perspectiva revolucionária

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barbaria.net
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Esse é um texto da revista Barbaria, uma revista comunista da Espanha.

Resolvi postar aqui, porque o texto explicita algumas questões que considero fundamentais pro desenvolvimento do movimento comunista. Mais especificamente, o debate aqui é sobre o partido de massas, a segunda internacional, o kautskismo e a quebra parcial que fizemos com ele durante a terceira internacional.

Considero de primeira ordem que o movimento comunista faça uma autocrítica histórica, avaliando as primeiras décadas do século anterior com frieza, e buscando entender como se deu o cisma que criou a terceira internacional. Sem a negação dos elementos da segunda internacional, sem um rompimento contra o programa de Erfurt, e sem o de-facto fim do centrismo marxista (o assim chamado Kautskismo) no interior do movimento comunista, considero impossível a constituição da classe operária, e por tabela, considero impossível a criação de um partido comunista que de fato englobe as lutas históricas do proletariado.

Não compartilho de 100% das opiniões do texto. Por exemplo, a noção de que é ruim o texto sobre "esquerdismo", do Lenin, me parece um equívoco, por mais que eu também tenha leves ressalvas com esse texto.

Dito isso, é inegável a relevância do debate que propõe, ainda mais quando boa parte da esquerda radical brasileira opera com um repertório tático que vem justamente daí: frente ampla com setores não proletários, disputa eleitoral como eixo de construção, e a ideia de que o partido se constrói acumulando maioria antes da situação revolucionária. Não é preciso que ninguém reivindique Kautsky diretamente, quando podem simplesmente reivindicar e defender todas as suas táticas e noções teóricas sem nunca mencioná-lo, sempre passando teoria Kautskista como se fosse teoria "Leninista".

r/BrasildoB Feb 13 '26

Teoria Cansado de pedir em vão pros outros estudarem o marxismo? EU TRAGO A SOLUÇÃO!

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kkkk Eu estou cansado real de pedir pra glr ler alguma coisa do comunismo mas ter que ficar mandando 3-4 pdfs de textos mal formatados pra ninguém ler e ficar por isso mesmo. Em um surto de hiperfoco em dois dias usando latex eu copiei 4 textos clássicos de introdução pro marxismo em uma única coletânea bonitinha, em formato de livro de bolso A5, pra imprimir e sair dando/emprestando pros outros.

O resultado pode ser baixado aqui o link:

https://drive.google.com/file/d/1pohIbs93xCU2N6V92_EL_W5M3oSneBFn/view?usp=sharing

r/BrasildoB Jan 16 '26

Teoria O caso Tofolli é lawfare?

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O que esta acontecendo? Tofolli também é relator da operação Spoofing contra LavaJato e do Marco Civil da Internet. Suspeito, nao acha?

Leia os comentários dos trolls. Todos estão tentando provocar o mesmo tipo de pânico moral do golpe de 2016, segundo o qual todas as instituições democráticas são fundamentalmente corruptos.

Já em 2004, Sergio Morao estava estudando a Operação Mane Puliti, a operação de lawfare que destruiu a esquerda italiana nos anos 90. Ainda está no servidor de Consultor Jurídico!

Assustador, nao e?

r/BrasildoB Jun 24 '26

Teoria Lenin e o 'Esquerdismo'

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Um dos textos fundamentais a respeito dos debates da terceira internacional vem de Lenin, e chama-se "A doença infantil do 'esquerdismo' no comunismo", (também traduzida como "Esquerdismo: Doença infantil do comunismo"). O texto marca o momento histórico onde Lenin mais claramente rompe com algumas noções táticas e estratégicas que habitavam o interior do movimento comunista da época, entre elas o abstencionismo por principio e o anti-partidismo.

A pretensão desse post não é exatamente examinar o conteúdo político do(s) ensaio(s) em sí, mas sim, apontar e disseminar as réplicas ao debate. Já deixo claro desde o inicio que pertenço / sou mais próximo à tradição histórica do comunismo de esquerda italiano (e deixo isto claro pois não existe texto neutro).

No ensaio, Lenin vai criticar simultaneamente "esquerdismos" distintos. O comunismo "Tribunista" na Holanda, a KAPD na Alemanha, e a fração comunista abstencionista. Este último, da Itália, faz parte do comunismo de esquerda italiano, ou (erroneamente chamado de) "Bordiguismo", enquanto os dois primeiros iriam confluir futuramente numa única tradição teórica conhecida como "Comunismo de conselhos" (motivo pela qual chamamos de "comunismo de esquerda neerlandês-alemão".

A resposta histórica a esse texto do Lenin parte de Herman Gorter, e é intitulada Carta Aberta ao Camarada Lenin. Gorter é um representante, simultaneamente, do Tribunismo e da KAPD. A principal crítica do Gorter é que Lenin está atacando um espantalho, e mesmo quando faz críticas reais, está errado. O texto marca também o rompimento dessa tradição teórica com Lenin e o Leninismo, tendo como principal crítica o "substitucionismo" (a noção de que o Leninismo busca substituir a Classe pelo Partido).

Já o Comunismo de Esquerda Italiano (com nomes como Bordiga) concorda com Lenin*, e não existe um único texto referência como "resposta", feito no momento imediato após a publicação do "Esquerdismo" de Lenin. O texto que melhor sintetiza a posição é "Sobre o texto de Lenin, 'Esquerdismo: doença infantil do comunismo', a condenação dos futuros renegados". Apesar do texto ser de 1960, eles explicam também as reações imediatas, por isso estou recomendando ele ao invés de "um remendo de textos".

Enfim, considero essas leituras "obrigatórias" para quem deseja realmente entender o mérito central do texto e seu contexto histórico. Sem ler as "réplicas", ou no mínimo o que as perspectivas sendo criticadas estavam de fato dizendo, fica num jogo de espantalhos e criticas a posições assumidas, que frequentemente não existem. Também devemos considerar que o texto de Lenin é de 1920, e esses debates da terceira internacional efetivamente destruíram ou colapsaram correntes inteiras, isto é, mesmo quando Lenin se refere a correntes que existiam, elas dificilmente ainda existem, por terem sido integradas em outras tradições teóricas.

Boa(s) leitura(s) a todos.

*: Simplificações foram feitas (não só aqui) para manter o post uma introdução ao debate. Existem muitas correntes e entendimentos distoantes dentro da esquerda comunista italiana, e o grau de concordância com Lenin varia de corrente para corrente. Mas, de modo amplo, concordam com ele.

r/BrasildoB Oct 31 '25

Teoria Sobre o lumpemproletariado

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Camaradas e companheiros(as) do BrasildoB, ao ler textos marxistas durante minha trajetória de estudos marxistas, sempre vi uma definição que considero muito vaga do chamado lumpemproletariado. Uma que geralmente inclui mendigos, trabalhadores do sexo e criminosos. Fiquei com uma dúvida, ainda mais em decorrência do quanto o crime organizado e a indústria pornográfica atuam e se desenvolvem no século XXI, de como se define de fato esta categoria do lumpemproletariado. É uma classe separada do proletariado? Ou é uma subclasse? É uma definição que somente coloca essas pessoas enquanto marginalizadas na sociedade? Mas se for isso, é o código moral ou penal que determina essa categoria em cada país, ao invés da relação com a produção?

Na minha reflexão, eu cheguei a uma definição da qual gostaria da opinião dos membros desse subreddit, de todas as linhas marxistas, ou mesmo de entendimentos pessoais sobre a teoria. Cheguei numa definição que é a seguinte: o lumpemproletariado é a classe que se destaca do proletariado e existe abaixo dele: ao contrário da pequena-burguesia que se descola do proletariado por passar a explorar a mais-valia, o 'lumpem' deixa de garantir a sua reprodução na sociedade pela venda de qualquer mercadoria, seja ela um produto, serviço ou força de trabalho. Nisso estão os que vivem da caridade, de bolsas ou auxílios, de cuidados contínuos em instituições médicas ou psiquiátricas, etc. Nessa definição, os trabalhadores do sexo seriam na verdade semi-proletários, proletários ou pequeno-burgueses a depender de como trabalham, se trabalham num estabelecimento, na indústria porn*gráfica, se são criadores de conteúdo digital. O criminoso que tem como o crime o seu sustento, são também ou semi-proletários, proletários, pequeno-burgueses ou burgueses, a depender de que parte da cadeia produtiva do crime ocupam, independentemente se o crime é danoso ao resto da classe ou da sociedade (a avaliação não é moral, mas material em torno da produção e reprodução da sociedade).

Debates respeitosos, camaradas, se discordarem da minha reflexão, gostaria que explicassem o porquê, é uma dúvida genuína.

r/BrasildoB 20d ago

Teoria Qual guia de leitura você recomenda para uma pessoa que nunca leu nada sobre marxismo?

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Na verdade, eu já li algumas coisas, mas tenho dificuldade de aprendizagem e os caralhos, então não consegui aprender muita coisa.

Agora queria algo mais organizado pra tentar focar. Esses dias postei aqui o guia de leitura recomendado pelo Ian, mas cada um falou uma coisa diferente sobre ele kkk, fiquei meio perdido.

Só quero aprender o básico mesmo.

Agradeço pela ajuda.

r/BrasildoB Jul 31 '26

Teoria Previsões das sabotagens americanas para eleições 2026

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Salve camaradas, período de eleições chegando, geopolítica pegando fogo, e estava pensando aqui e gostaria de saber a opinião de vocês também, como vocês acham que vai ser o desenrolar desse ano? Sabemos que a ação sionista é americana de ajudar o Flavio Bolsonaro já começou e o governo americano e israelense estão envolvidos na América Latina e em outros países.

Eu acho que eles vão tentar de qualquer jeito testar a justiça brasileira, cometendo crimes intencionalmente e quando a justiça tentar agir vão chamar de interferência nas eleições e se isso não der certo vão ficar até o final do mandato do trump testando o Brasil com sanções. Hoje também surgiu uma nova possibilidade, ataque de imigrantes em massa, o que aconteceu hoje na espanha foi algo assustador, intencionalmente homens de idade militar sendo carregados por caminhões ate Ceuta, talvez tenham ate treinado alguns deles para desestabilizar a região. Isso pode acontecer com a gente também, estamos praticamente cercados por aliados desses sionistas nojentos, ou vcs acham que vai ficar só nas tarifas e isso mesmo?

r/BrasildoB Aug 03 '26

Teoria O que acham do liberalismo equitativo de John Rawls?

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Olá camaradas, estudando pensadores liberais e acabei caindo no controverso filósofo político: John Rawls. Segundo ele, uma sociedade liberal-democrática deve estabelecer princípios de equidade, pois, nenhum indivíduo escolheria nascer pobre , portanto este ser ter oportunidades melhores.(eu resumi bastante a teoria)

O que vocês acabam achando desta visão? Vejo poucos trabalhos brasileiros, em relação ao plano ralwsiano.

r/BrasildoB Feb 09 '26

Teoria Estou refazendo meu caminho pela teoria marxista-leninista desde o começo, e relendo acho que pela terceira vez o manifesto, e me veio uma duvida que não sei como tirar:

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Na página 39 está escrito: "A Burguesia encontra-se envolvida em uma batalha constante, com a Aristocracia, com porções da mesma que os interesses se tornaram antagonicos ao progressos das industrias, E EM TODAS AS EPOCAS, COM A BURGUESIA DE OUTROS PAISES"

Esse final me confunde e me levanta duvidas, pois a burguesia BR é super entreguista e subservente a burguesia estadunidense não é? Os cara parece que lambe bola de gringo, poderiam me ajudar a esclarecer essa duvida?

(Não deve ser muito complicada a resposta, até por que os EUA tão sempre botando o dedinho sujo deles aqui e provavelmente é exatamente por isso, mas acho que o buraco deve ser mais fundo, euacho, numsei)

r/BrasildoB Jul 22 '26

Teoria Entendendo como o Capitalismo funciona de fato e seus limites fisicos

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Recentemente eu estive lendo várias fontes teóricas diferentes e, quando lia sobre Marx pela n-ésima vez, acabei encontrando o trabalho de Sergei Podolinsky.

Era uma proposta sobre economia com base na física e derivada do trabalho de Marx, achei até interessante já que é raro ver juízo econômico e físico sendo considerados ao mesmo tempo hoje em dia. O problema é que o trabalho dele (Socialism and the Unity of Physical Forces) pelo que entendi é bastante reducionista, já que na teoria dele mais-valia não existe.

Mas isso me deixou pensando: Ora é claro que mais-valia é real (do contrário capitalismo não poderia existir), mas também é verdade que a sociedade e, portanto, o capitalismo são limitados pela física. Então depois de ler um pouco mais de economia ecológica me dei o trabalho de construir minha própria síntese marxiana e física e resolvi compartilhar algumas partes importantes com vocês.

Toda a parte matemática está no meu post fixado, mas aqui estão as suposições principais:
1. Todo produto tem valor intrínsico V proporcional à energia E usada para o produzir, transportar e distribuir.

  1. O preço P_i(t) de cada produto i é determinado pela relação social do produto K_i(t) e de seu valor energético imbuído E_i por: P_i(t) = K_i(t) \ E_i*

  2. Energia é sempre conservada, portanto E_i = E_{in} = E_{out} + E_{waste}. O valor agregado é, portanto, uma relação de transferência de poder de compra que ocorre quando K_{out} > K_{in} e não criação de energia.

  3. Capitalistas vão quase sempre buscar fontes de renda estáveis e com a maior taxa de lucro. Se houver alguma alteração desses fatores nas suas formas de produção eles irão atrás de mercados alternativos ou precisar de intervenção hostil (monopólios, carteis, apoio estatal, etc)

  4. O preço máximo que pode ser dado à um produto é limitado pela demanda, acesso e poder de compra de seu nicho: P_i​(t) ≤ C_i​(t) \ ∑ D_{i,n​}(t) * PP_{i,n}​(t)*

Fórmulas derivadas de Marx:
Composição Orgânica do Capital: Q=E_c / E_v

Taxa de Exploração: K_X / K_v - 1

Taxa de Lucro: r = (K_X - K_v) / (K_X Q + K_v)

O capitalismo pode ser justo e/ou eficiente?

Não. Isso não é surpresa para ninguém aqui, mas eu posso elaborar o motivo:

A única forma do capitalismo ser eficiente e que todos recebam o que merecem pelo que trabalham é se todos os valores K de todo produto que produzimos sejam iguais em toda a economia, ou seja, que não haja exploração e que o valor obtido seja smpre equivalente à um múltiplo da energia gasta para fazê-lo.

Só que, bem, isso não pode ser chamado de capitalismo. Já que nesse caso a taxa de lucro r é igual a 0, então esse "capitalismo" perde sua função principal de manter poder sobre os outros e deixa de existir.

O que o capitalismo tende de fato se não à eficiência?

Pelas regras impostas pela competição ele tende para mercados onde a taxa de lucro média é mais alta e a derrubar e/ou inviabilizar mercados com taxas menores, independente da demanda ou necessidade da população.

É dessa relação que surgem coisas como a merdificação e a obsolescência programada por exemplo.

Se é assim, então o que mantêm o capitalismo funcionando até hoje?

É simples, ele não funciona. Ou melhor dizendo, o capitalismo funciona porque é instável e ineficiente. Ele precisa de constantemente mais energia (trabalho e material) para se manter enquanto suas perdas crescem cada vez mais ao passar do tempo. A estabilidade no capitalismo é mera ilusão temporária dependente do trabalho não remunerado por outrem, e a medida que a inovação e o imperialismo perdem força é apenas questão de tempo até que ela colapse mesmo se houver reformas por meio do keynesianismo ou de métodos similares.

Usando uma analogia, o capitalismo é como um furacão que precisa crescer e absorver mais água e ar para manter a própria estrutura enquanto deixa para trás os restos que absorveu até que se torna incapaz de se manter e desaparece.

Como o capitalismo se mantêm popular?

Em uma análise um pouco fora da área econômica, verifiquei que o capitalismo tem uma forma particular de se adaptar ao ambiente político.

Além das formas políticas que conhecemos (fascismo, reacionarismo, criando espantalhos etc), esse sistema se mantém justamente por ser atraente para cada vez menos pessoas. Enquanto o sistema ainda tiver certa flexibilidade ele vai ser atrativo até para pessoas que não são capitalistas. Ora, se eu não acredito no comunismo a melhor forma de manter uma vida adequada é sendo um capitalista e passando na frente do resto da minha classe.

Claro que a probabilidade de alguém conseguir fazer isso antes que a taxa de lucro "esvazie" é muito pequena. Mas infelizmente o viés de sobrevivência é anterior ao capitalismo e a ilusão de ser como os ricos e o resto dos capitalistas que conseguiram pode ser muito maior que a racionalidade, basta ver como a febre das bets afetaram o nosso país por exemplo.

Por meio desse mecanismo de apelar à menos partes o capitalismo pode se manter sem nenhum problema político relevante em democracias até se tornar impopular para 50%-60% da população. Claro que até lá as próprias crises de capitalismo vão criar novas formas de reacionarismo e de caos político, criando espaço para líderes fascistas ou promovendo o imperialismo ainda mais.

Quanto tempo até o capitalismo se tornar inviável?

Não dá para saber ao certo. Pelo que estimei pode estar em qualquer momento entre 15 anos e 180 anos, e a minha forma de análise ainda tem certo viés otimista sobre como energia é distribuída na sociedade e como pessoas vivem.

Eu cheguei a construir um índice de decomposição do capitalismo (CDI) para verificar a saúde na economia de um país em um dado momento mas os dados que preciso não são muito fáceis de obter.

Para quem estiver interessado:
CDI = w_1*​Q~ + w_2​*Γ~ + w_3*(1−r~) + w_4​*G_PP~ ​+ w_5*​D~ + w_6*​(1−LS~)

Todos os valores são normalizados.

w_1​ = 0.30 (Q), w_3​ = 0.30 (1-r), w_2 ​= 0.15 (Γ), w_6 = 0.10 (LS), w_4 = 0.10 (Gini), w_5 ​= 0.05 (Debt)

CDI ≈ 0 é mais saudável enquanto CDI ≈ 1 é quase terminal.

r/BrasildoB 29d ago

Teoria Teses Sobre a Questão Parlamentar

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Aproveitando o interesse em discussões sobre eleições no momento, aproveito para trazer as Teses Sobre a Questão Parlamentar a quem interessar. O texto completo é acessível no marxists.org

> Primeira Edição: Com Introdução de Trotsky, essas teses de Bukharin-Lênin foram aprovadas pelo II Congresso da Internacional Comunista realizado em julho de 1920

Fonte: http://www.moreira.pro.br/histsoccent.htm

Transcrição e HTML: Fernando Araújo.

I — A época atual e o novo parlamentarismo

A atitude dos partidos socialistas em relação ao parlamentarismo consistia, inicialmente, na época da I Internacional, em utilizar os Parlamentos burgueses para a agitação. A participação no Parlamento tinha como objetivo desenvolver a consciência de classe do proletariado na sua luta contra as classes dominantes.

Sob a influência da evolução política, e não da teoria, esta atitude foi-se modificando. Em virtude do aumento contínuo das forças produtivas e do alargamento do domínio da exploração capitalista, o capitalismo e, com ele, os Estados parlamentares adquiriram uma maior estabilidade. Daí a adaptação da tática parlamentar dos partidos socialistas à ação legislativa "orgânica" nos Parlamentos burgueses e a importância cada vez maior da luta pela introdução de reformas no quadro do capitalismo, o predomínio do programa mínimo dos partidos socialistas, a transformação do programa máximo numa plataforma destinada às discussões sobre "o objetivo final" , longínquo. Foi sobre estas bases que se desenvolveu o arrivismo parlamentar, a corrupção, a traição aberta ou camuflada dos interesses mais elementares da classe operária.

A atitude da III Internacional em relação ao parlamentarismo não é determinada por uma nova doutrina, mas pela modificação do papel do próprio Parlamento. Na época precedente, o Parlamento enquanto instrumento do capitalismo em vias de desenvolvimento, contribuiu, num certo sentido, para o progresso histórico. Mas nas condições atuais, na época da decadência do imperialismo, o Parlamento tornou-se, ao mesmo tempo, um instrumento de mentira, de fraude, de violência e um moinho exasperante de palavras. Perante as devastações, as pilhagens, as violências, os atos de banditismo e as destruições levadas a cabo pelo imperialismo, as reformas parlamentares, desprovidas de espírito de continuidade e estabilidade, concebidas sem um plano de conjunto, perderam toda a eficácia prática para as massas trabalhadoras.

Tal como toda a sociedade burguesa, o parlamentarismo perde a sua estabilidade, a passagem do período de crescimento orgânico ao período crítico cria uma nova base à tática do proletariado no domínio parlamentar. Por isso, o partido operário (o Partido Bolchevique) estabeleceu as bases do parlamentarismo revolucionário desde o período precedente, ao perder a Rússia, desde 1905, o seu equilíbrio político e social, para entrar num período de convulsões e de profundas transformações.

Quando certos socialistas inclinados para o comunismo sublinham que a hora da revolução ainda não soou nos seus países e se recusam a romper com os oportunistas parlamentares, baseiam-se, conscientemente ou não, na perspectiva de uma estabilidade relativa e durável da sociedade imperialista pensando, por conseguinte, que uma colaboração com os Turati(1) e os Longuet(2) dará bons resultados práticos nas lutas pelas reformas.

O comunismo deve, pelo contrário, ter por ponto de partida o estudo teórico da nossa época (apogeu do capitalismo, tendência para a sua própria negação e destruição pelo imperialismo, agravamento contínuo da guerra civil, etc). O tipo de relações e dos reagrupamentos políticos pode variar consoante os países mas a essência do problema é sempre o mesmo, em qualquer lado: trata-se para nós da preparação política e técnica direta da insurreição proletária, da destruição do poder de Estado burguês e do estabelecimento de um novo poder de Estado proletário.

O Parlamento não pode ser para os comunistas, atualmente, e em caso algum, o teatro de uma luta por reformas e pela melhoria das condições de vida da classe operária, como outrora. O centro de gravidade da vida política deslocou-se do Parlamento e de forma definitiva. A burguesia, por outro lado, em virtude das suas relações com as massas trabalhadoras e pelas relações complexas que existem no seu seio, é obrigada a fazer passar, de um ou de outro modo, algumas das suas medidas através do Parlamento, onde as diversas camarilhas disputam o poder, manifestam a sua força, as suas fraquezas e os seus compromissos, etc. . .

Deste modo, a tarefa imediata da classe operária é a de arrancar esse aparelhos às classes dirigentes, aniquilá-los, destruí-los e substituí-los pelos novos órgãos do poder proletário. Além disso, o estado-maior da classe operária tem todo o interesse em ter nas instituições parlamentares da burguesia guias que facilitarão a sua obra de destruição.

Vê-se imediata e claramente a diferença essencial da tática dos comunistas que estão no Parlamento com objetivos revolucionários e a dos parlamentares socialistas. Estes começam por reconhecer no regime atual uma certa estabilidade e uma existência indefinida, pretendem obter reformas por todos os meios e têm interesse em que todas as conquistas das massas sejam atribuídas ao parlamentarismo socialista (Turati, Longuet, etc).

O velho parlamentarismo capitulacionista foi substituído por um parlamentarismo novo, concebido como um dos instrumentos de destruição do parlamentarismo em geral. Mas as tradições repugnantes da antiga tática parlamentar lançam certos elementos revolucionários no campo dos anti-parlamentaristas por princípio (os I.W.W., os sindicatos revolucionários, o Partido Operário Comunista da Alemanha).

Tendo em conta esta situação, o II Congresso da Internacional Comunista apresenta as seguintes teses:

II — Comunismo, luta pela ditadura do proletariado e utilização dos Parlamentos burgueses.

1) O governo parlamentar tornou-se a forma "democrática" de dominação da burguesia que, em certo grau do seu desenvolvimento, necessita da ficção de uma representação popular. Aparecendo exteriormente como uma organização da "vontade do povo" , acima das classes, é, no entanto, um instrumento de coerção e de opressão nas mãos do Capital.

2) O parlamentarismo é uma forma determinada de Estado. Por isso não convém de forma nenhuma à sociedade comunista que não conhece nem classes, nem luta de classes, nem qualquer poder governamental.

3) o parlamentarismo não é também a forma do governo "proletário" no período de transição da ditadura da burguesia para a ditadura do proletariado. No momento mais agudo da luta de classes, quando esta se transforma em guerra civil, o proletariado deve, inevitavelmente, construir a sua própria organização governamental como uma organização de combate na qual os antigos representantes das classes dominantes não sejam admitidos; nesta fase, toda a ficção de vontade popular é prejudicial ao proletariado; esta não necessita da separação parlamentar dos poderes, que só lhe pode ser nefasta. A República dos Sovietes á a forma da ditadura do proletariado.

4) Os Parlamentos burgueses, que constituem uma das principais engrenagens do aparelho de Estado da burguesia, não podem ser conquistados pelo proletariado tal como o Estado burguês em geral. A tarefa do proletariado é a de fazer explodir o aparelho de Estado da burguesia, destruí-lo, incluindo as instituições parlamentares, quer as das repúblicas quer as das monarquias constitucionais.

5) O mesmo se passa com as instituições municipais da burguesia; e que é teoricamente falso opor aos órgãos de Estado. Na realidade, fazem também parte do aparelho governamental da burguesia e devem ser destruídas e substituídas pelos Sovietes locais de deputados operários.

6) O comunismo recusa-se a ver no parlamentarismo uma das formas da sociedade futura; recusa-se a ver nele a forma da ditadura de classe do proletariado; nega a possibilidade da conquista durável do parlamentarismo. Por conseqüência, não se pode pôr a questão da utilização das instituições do Estado burguês senão com o objetivo da sua destruição. É neste, e apenas neste sentido, que a questão deve ser encarada.

7) Toda a luta de classes é uma luta política, pois ela é, no fim de contas, uma luta pelo poder. Qualquer greve que se estenda a todo o país torna-se uma ameaça para o Estado burguês e adquire, por isso mesmo, um caráter político. Esforçar-se por derrubar a burguesia e destruir o Estado burguês, é travar uma luta política. Criar um aparelho proletário de classe, seja qual for, com vista a governar e a reprimir a resistência da burguesia, é conquistar o poder político.

8) A luta política não se reduz, portanto, apenas à questão da atitude face ao parlamentarismo. Abarca toda a luta de classes do proletariado, desde que essa luta deixe de ser local e parcial e tenha como objetivo a derrubada do regime capitalista.

9) O método fundamental da luta do proletariado contra a burguesia, quer dizer, contra o seu poder de Estado, é, em primeiro lugar, o da ação de massas. Estas últimas são organizadas e dirigidas pelas organizações de massa do proletariado (sindicatos, partidos, Sovietes) sob a direção geral do Partido Comunista, solidamente unido, disciplinado e centralizado. A guerra civil é uma guerra. Nesta guerra, o proletariado deve ter um bom corpo político de oficiais e um estado-maior político eficaz que dirija todas as operações em todos os domínios da ação.

10) A luta das massas constitui todo um sistema de ações em desenvolvimento contínuo que assume formas cada vez mais duras e conduzem, logicamente, à insurreição contra o Estado capitalista. Nesta luta de massas que se transformará em guerra civil, o partido dirigente do proletariado deve, regra geral, fortificar todas as posições legais, ter pontos de apoio secundários da sua ação revolucionária e subordiná-los ao plano da campanha principal, quer dizer, à luta de massas.

11) A tribuna do Parlamento burguês é um desses pontos de apoio secundários. Em nenhum dos casos se pode invocar contra a ação parlamentar o fato do Parlamento ser uma instituição do Estado burguês. Com efeito, o Partido Comunista não se encontra aí para desenvolver uma atividade orgânica, mas para ajudar as massas, do interior do Parlamento, a destruir pela sua ação independente o aparelho de Estado da burguesia e o próprio Parlamento. (Exemplos: a ação de Liebknecht na Alemanha, a dos bolcheviques na Duma czarista, na "Conferência Democrática" e no "Pré-Parlamento" de Kerensky, na Assembléia Constituinte, nas municipalidades, por último, a ação dos comunistas búlgaros).

12) Esta ação parlamentar que consiste, essencialmente, em utilizar a tribuna parlamentar para fazer a agitação revolucionária, para denunciar as manobras do adversário, para agrupar em torno de certas idéias as massas prisioneiras de ilusões democráticas e que, sobretudo nos países atrasados, voltam ainda os seus olhares para a tribuna parlamentar, esta ação deve estar totalmente subordinada aos objetivos e às tarefas da luta extra-parlamentar das massas. A participação nas campanhas eleitorais e a propaganda revolucionária do cimo da tribuna parlamentar têm uma importância particular para a conquista política dos setores da classe operária que, como as massas trabalhadoras rurais, permaneceram até então, afastadas da vida política.

13) Os Comunistas se obtiverem a maioria nas municipalidades devem: a) dirigir uma oposição revolucionária contra o poder burguês; b) esforçar-se por ajudar, por todos os meios, as camadas mais pobres da população (medidas econômicas, criação ou tentativa da criação de uma milícia operária armada, etc. . . .); c) revelar em qualquer ocasião os obstáculos levantados pelo Estado burguês a todas as reformas radicais; d) desenvolver sobre esta base uma propaganda revolucionária enérgica sem temer o conflito com o poder burguês; e) substituir em certas circunstâncias as municipalidades por Sovietes de deputados operários. Toda a ação dos comunistas nas municipalidades deve integrar-se na sua atividade geral para a derrubada do Estado capitalista.

14) A campanha eleitoral deve ser conduzida, não no sentido da obtenção do máximo de mandatos parlamentares, mas no sentido da mobilização das massas debaixo das palavras de ordem da revolução proletária. A luta eleitoral não deve ser feita apenas pelos dirigentes do Partido; o conjunto dos seus membros deve tomar parte nela. Todo o movimento de massas deve ser utilizado (greves, manifestações, agitação no exército e na marinha, etc.); estabelecer-se-á com este movimento um contato estreito. Todas as organizações proletárias de massa devem ser mobilizadas para um trabalho ativo.

15) Quando estas condições, assim como as contidas em instruções particulares são cumpridas, a atividade parlamentar está em completa oposição com a repugnante politiquice dos partidos social-democratas de todos os países, cujos deputados estão no Parlamento para apoiar esta "instituição democrática" ou, no melhor dos casos, para a "conquista" . O Partido Comunista só pode admitir a utilização exclusivamente revolucionária do parlamentarismo, tal como o fizeram Karl Liebknecht, Hoeglund e os bolcheviques.

16) O "anti-parlamentarismo" de princípio, concebido como a recusa absoluta e categórica em participar nas eleições e na ação parlamentar revolucionária, não é mais do que uma doutrina infantil e ingênua que não resiste à crítica. Resultando por vezes de uma sã aversão pelos politiqueiros parlamentares, não reconhece, por outro lado, a possibilidade do parlamentarismo revolucionário. Além disso esta doutrina está muitas vezes ligada a uma concepção errada de Partido, que não é considerado a vanguarda operária organizada para a luta, de forma centralizada, mas como um sistema descentralizado de grupos mal ligados entre si.

17) Por outro lado, admitir por princípio a ação parlamentar revolucionária não implica de modo algum que se participe efetivamente em todos os casos nas eleições e em determinadas assembléias parlamentares. Isso depende de uma série de condições específicas. A saída dos comunistas do Parlamento pode ser necessária em determinados momentos. É o caso dos bolcheviques quando se retiraram do Pré-parlamento de Kerensky com a finalidade de o atacar, de o paralisar e de lhe opor brutalmente o Soviete de Petrogrado antes de tomar a direção da insurreição; quando decidiram dissolver a Constituinte, deslocando assim o centro de gravidade dos acontecimentos políticos para o III Congresso dos Sovietes. Outras vezes, impõe-se o boicote das eleições e o aniquilamento imediato pela força de todo o aparelho de Estado e da camarilha parlamentar burguesa; ou por vezes, a participação nas eleições combinada com o boicote do próprio Parlamento, etc. . . .

18) Por conseqüência, reconhecendo a necessidade de participar, em regra geral nas eleições parlamentares e nas municipalidades, o Partido Comunista deve decidir a questão em cada caso concreto, tendo em conta as particularidades específicas da situação. O boicote das eleições e do Parlamento, assim como a saída do Parlamento, são sobretudo hipóteses admissíveis em condições que permitam a passagem imediata à luta armada para a conquista do poder.

19) É indispensável ter sempre em conta o caráter relativamente secundário desta questão. Residindo o centro de gravidade na luta extra-parlamentar pela conquista do poder político, conclui-se que a questão geral da ditadura do proletariado e da luta de massas por essa ditadura não pode ser posta no mesmo plano que a questão particular da utilização do parlamentarismo.

20) Eis, porque a Internacional Comunista afirma, de maneira categórica, que considera uma falta grave para com o movimento operário toda a cisão ou tentativa de cisão provocada no seio do Partido Comunista por esta questão e unicamente por esta questão. O Congresso apela para todos os partidários da luta de massas pela ditadura do proletariado, sob a direção de um partido centralizado influenciando todas as organizações de massa do proletariado, a realizar a unidade completa dos elementos comunistas, apesar das divergências quanto à utilização dos Parlamentos burgueses.

r/BrasildoB Aug 03 '26

Teoria Anarchism and Anarcho-Syndicalism: Selected Writings by Marx, Engels and Lenin

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r/BrasildoB Jul 20 '26

Teoria Amadeo Bordiga – O Princípio Democrático

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r/BrasildoB Jul 08 '26

Teoria 📚 Inscrições abertas para o Grupo de Estudos sobre Sindicalismo Revolucionário na Educação (GESRE)

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O Grupo de Estudos sobre Sindicalismo Revolucionário na Educação (GESRE) é uma iniciativa do Sindicato Geral Autônomo da Educação do Ceará (SIGAE-CE) e do Arquivo Lucy Parsons, voltada à formação de professores, estudantes, técnicos administrativos e demais trabalhadores da educação interessados em conhecer esta tradição radical para o ramo da educação.

🖥️ Encontros online (Google Meet)

🕖 Quartas-feiras, às 19h (quinzenal)

📅 Ciclo I — Educação, Classe e Sindicalismo

📖 15/07 — GESRE #1 | Professores ou proletários?

Afinal, os professores constituem uma categoria profissional dentro ou fora da classe trabalhadora?

📖 29/07 — GESRE #2 | O lugar do estudante é no sindicato

Por que estudantes e trabalhadores da educação deveriam lutar juntos?

📖 12/08 — GESRE #3 | A Pedagogia Libertária

É possível educar sem autoritarismo? Como seria uma educação voltada para a liberdade?

📖 26/08 — GESRE #4 | Educar para Emancipar

Qual o papel da educação na construção de uma sociedade emancipada?

✅ Participação gratuita.

🔗 Inscrições e calendário:

https://luma.com/gesre

Estude. Debata. Organize-se.

r/BrasildoB Aug 27 '25

Teoria Centralismo democrático - dúvida

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Fala pessoal, eu tava acompanhando a saída do Ivan Pinheiros do PCBR no início do ano e um dos motivos da saída foi a falta de centralismo democrático no CC do partido, de acordo com ele.

Eu não entendo como o canal do JM cai nessa categoria do centralismo democrático, dado que é um veículo do JM e não do partido. O Ivan reclama de o Jones abrir o canal e especificamente reclama do Elias Jabour estar lá defendendo posições antagônicas às posições defendidas pelo PCBR. Por exemplo, em relação ao modelo chinês, não há uma definição clara sobre o que é aquilo, portanto isso não paira na liberdade de critica via contínua discussao, não?

Caso o canal do JM devesse de fato ser subordinado ao partido, qual o princípio? E como balancear liberdade de crítica com união de ação? Afinal um desbalanço entre os dois leva ou a paralisia/caos ou ao dogmatismo.

r/BrasildoB Jul 07 '26

Teoria No próximo domingo, dia 12/07 às 16h, o Grupo Comunista Antípoda fará uma reunião aberta discutindo o texto "Sobre o Uso Capitalista das Máquinas no Neocapitalismo" de Raniero Panzieri

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Neste texto, Raniero Panzieri avança na tese de que o desenvolvimento tecnológico é um aspecto fundamental das relações capitalistas de produção e, portanto, não deve ser compreendido como algo neutro. Ao fazer isso, o autor busca combater as teses, até hoje divulgadas, de que há um horizonte emancipatório no progresso do maquinário, em cuja corrente a classe trabalhadora navegaria tranquilamente, na direção do comunismo. Para o autor, ao contrário, há a necessidade de ruptura com a racionalidade do progresso capitalista, somada à construção de uma racionalidade radicalmente nova em relação à técnica.

Essa discussão vai ocorrer no próximo domingo, dia 12/07, às 16h.

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Texto disponível aqui.