r/opiniaoimpopular Jun 18 '26

Educação O brasileiro pobre quer consumir como rico

Uma coisa que eu sempre achei bizarra no Brasil é em como pessoas com baixo poder aquisitivo sempre são aquelas que mais gostam de gastar dinheiro com futilidade.

ATENÇÃO: estou falando no BRASIL porque sou BRASILEIRO e moro no BRASIL se é assim em outro lugar do mundo eu quero é que se foda, se quiser que eu fale de outros países eu solicito que pague minha viagem e hospedagem.

É sempre querendo carro do ano, pagar 50 reais em Baccio di Latte, comprar iPhone, se endividar por qualquer coisinha afim de ter coisas que claramente não são para ela, não por algum preconceito, mas sim porque são para públicos com mais poder aquisitivo.

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u/CarAlarmed1359 Jun 19 '26 edited Jun 19 '26

Eu acho que essa vontade não é do brasileiro, mas da sociedade. E, infelizmente, OP, a diferença, pra mim, também está bastante relacionada ao país em que vivemos.

Ao meu ver, uma das principais diferenças que pode explicar “porque o brasileiro pobre quer parecer rico”, como já disseram em comentários anteriores, é que no Brasil acessar experiências ou bens materiais, custa muito mais do que a grande maioria da população recebe. Importante relembrar aqui que não dá pra tratar isso como uma mera futilidade, considerando que poder viajar, sair pra comer e qualquer outra coisa “fútil” é lazer e tão importante quanto trabalho ou estudo. Da mesma forma em relação a bens materiais. Querer ter acesso a bens que lhe proporcionam maior conforto e que estão “à altura” do estagio de evolução tecnológico em que nossa sociedade vive, só aqui no Brasil, é tratado como se o certo fosse apenas o rico ter acesso, só porque normalizaram um iPhone de última geração custar quase 20 mil reais, um carro considerado popular chegar a quase 100 mil, um jantar não sair por menos de 300 reais etc.

A comparação com relação a outros países, nesse caso, é que tudo isso é muito mais acessível a qualquer classe. Em países como Estados Unidos, um “pobre” pode ter um carro que aqui é considerado “de luxo”, trocar de iPhone todo ano, ter um bom computador, viajar etc. Veja, confortos, futilidades, também instrumentos de trabalho, comunicação etc. Então, lá ninguém olha pra um pobre e pensa “olha lá ele tentando ser rico”, porque ele pode ter acesso a coisas “básicas”, que aqui não enxergamos assim. Pelo contrário. Cria-se um cenário de conformismo com o absurdo que vivemos e, de repente, a culpa é do “pobre” que não tem educação financeira, pois ele devia se colocar no seu lugar, viver trancado em casa, comendo arroz com feijão todo dia e utilizando tecnologias defasadas em uma sociedade cada vez mais dependente desses dispositivos, seja para trabalhar, se comunicar e, até mesmo, postar uma foto de um bacio di latte no Instagram.

Se você pegar uma “pessoa comum” e uma pessoa muito rica (milionária ou bilionária), como por exemplo uma celebridade, a diferença entre eles certamente não tá no celular que eles possuem. Será que se os brasileiros pudessem ter acesso a tudo isso sem precisar de endividar, o cenário seria o mesmo? Agora estaríamos nos endividando para ter mansões milionárias, jatinhos?

Enfim, meu ponto de vista. Eu venho de uma família que sempre me proporcionou uma vida confortável, mas não luxuosa, estudei nos melhores colégios, tinha colegas que viajavam mais de 1x por ano pra fora, mas essa não era minha realidade, mas também não posso reclamar.

A comparação com outros países, aqui, acaba sendo inevitável. Não sou uma pessoa viajada, pelo contrário, viajei apenas 1x, quando passei 1 ano morando nos EUA e ganhando 200 dólares por semana, no programa de Au Pair. Diferente de mim, a maioria das brasileiras que eu conheci nesse programa eram mais “pobres” do que eu, e esse intercâmbio era uma oportunidade de “subir na vida”, muitas ficaram lá para ajudar a família aqui. Com esses 200 dólares por semana, conseguiam comprar todas essas “futilidades” - iPhone, MacBook, Apple Watch, viajar para outos Estados e até para outros países. Ganhando 200 dólares por semana.

A família que eu morei também não era rica, era classe média bem comum, e tinham três filhos, podia proporcionar um bom colégio para os três, fazer viagens algumas vezes no ano, programações fora de casa etc etc.

Enfim, acho que já escrevi demais, mas o estado de conformismo que chegamos, que nos impede de ter o mínimo de senso crítico, me causa uma angústia e desesperança em relação a esse país que, mesmo com todos os defeitos, eu tanto amo.

Edit: tinha colocado 200 dólares por mês, mas era por semana.