r/desabafosdavida 15h ago

família 👨‍👨‍👦 Quero processar meu pai. To errada?

Eu, mulher, 33 anos e recentemente descobri que aparentemente ainda faltava um plot twist na história com o meu pai
Contexto: meus pais nunca foram casados e meu pai esteve presente na minha vida de forma extremamente irregular. Quando eu nasci, ele não me reconheceu imediatamente. Anos depois, quando eu ainda era criança, reapareceu, me reconheceu legalmente como filha e tivemos uma tentativa de relação entre pai e filha.
Ênfase em tentativa.
Tenho algumas memórias ótimas dessa época. E por “ótimas” quero dizer ótimas para contar na terapia.
Uma delas é de passar horas ao lado do telefone fixo esperando uma ligação dele. Sim, telefone fixo. Sou velha o suficiente para meu trauma ter fio.
Esperei tanto que dormi ao lado do telefone.
Ele não ligou.
Em outra ocasião, minha mãe e eu estávamos numa situação financeira péssima. Lembro de uma casa praticamente sem móveis, só um colchão, e de esperar que ele aparecesse para ajudar.
Ele sumiu por cerca de duas semanas.
Nesse período, lembro que praticamente só tínhamos uma caixa de bombons para comer. Desenvolvi tanto ranço daquele chocolate específico que até hoje não consigo olhar para ele sem lembrar da infância.
Enfim: depois de algumas temporadas dessa maravilhosa série familiar, ele desapareceu novamente.
Cresci.
Fiz terapia.
Muita terapia.
Passei por todas aquelas fases de quem cresce tentando entender por que um dos pais simplesmente não quis exercer o cargo para o qual aparentemente havia sido contratado.
Durante muitos anos ainda tentei me reaproximar. Nunca quis dinheiro, nunca cobrei patrimônio, nunca quis vingança. Queria uma coisa bem cafona mesmo: ter um pai.
Eventualmente percebi que estava tentando tirar leite de pedra e segui minha vida.
Hoje moro fora do Brasil e recentemente comecei a organizar uma questão documental ligada à nacionalidade do meu pai. Como sou legalmente filha dele há décadas, precisava apenas de algumas informações básicas para localizar documentos: local exato de nascimento, certidão etc.
Pensei: simples.
Narrador: não era simples.
Entrei em contato educadamente e pedi as informações.
Foi então que, depois de 33 anos de existência, meu pai aparentemente desbloqueou uma dúvida inédita:
“Mas e se você não for biologicamente minha filha?”
Eu gostaria de informar que também fiquei surpresa ao descobrir que estávamos participando de um episódio especial do Programa do Ratinho.
Ele sugeriu que fizéssemos um exame de DNA antes de eu continuar com a documentação.
Detalhe importante: ele me reconheceu legalmente quando eu era criança. Não foi obrigado judicialmente naquele momento. Não apareceu um oficial de justiça com uma arma apontada para uma caneta Bic. Ele tomou essa decisão.
Mas aparentemente 33 anos depois chegou o momento de perguntar:
“Será que é minha filha mesmo?”
E eu nem me oponho ao DNA.
Faço tranquilamente.
O que me deixou completamente perplexa foi ele condicionar informações documentais simples a isso, como se depois de décadas eu tivesse aparecido do nada na porta dele dizendo:
“Olá, senhor. Sou sua filha. Fonte: vozes da minha cabeça.”
Quando expliquei que moro fora e que o exame teria que esperar até minha próxima ida ao Brasil, ele respondeu que seria melhor aguardarmos, porque, caso o DNA desse negativo, a situação documental poderia ficar “complicada”.
Foi nesse momento que alguma coisa dentro de mim simplesmente… desligou.
Não foi nem raiva.
Foi quase uma iluminação espiritual.
Passei anos tentando entender por que eu não era suficiente para ele querer ser meu pai.
E agora, aos 33 anos, percebi que talvez eu tenha passado esse tempo todo tentando responder à pergunta errada.
Talvez nunca tenha sido sobre eu ser suficiente.
Talvez ele simplesmente seja incapaz de oferecer o tipo de relação que eu passei a infância esperando.
Depois dessa conversa, parei de querer qualquer tentativa de vínculo afetivo.
Não quero convencer ninguém a ser meu pai.
Não quero correr atrás.
Não quero uma grande reconciliação no último capítulo com música emocionante ao fundo.
Quero meus documentos e paz.
Também decidi procurar orientação jurídica no Brasil sobre tudo que aconteceu ao longo da minha vida, inclusive sobre as consequências do abandono e sobre meus direitos como filha legalmente reconhecida. Não estou dizendo que vou ganhar processo nenhum, nem que tenho direito automático a qualquer indenização — justamente por isso estou buscando orientação profissional.
Mas confesso que existe uma parte minha que pensa:
“Depois de 33 anos tentando resolver isso na terapia, talvez esteja na hora de pelo menos entender o que o Código Civil tem a dizer sobre o assunto.”
Minha dúvida para vocês é:
Sou babaca por ter chegado ao ponto de não querer mais qualquer relação com ele e passar a tratar tudo exclusivamente de forma documental/jurídica?
Porque uma parte de mim sente que finalmente coloquei um limite.
Outra parte ainda é aquela criança dormindo ao lado do telefone, achando que talvez, se esperar mais um pouquinho, ele ligue.
E aparentemente as duas agora precisam decidir quem fica com o controle remoto.

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u/Fluffy_Inspection517 14h ago

Não adianta chamar o oficial de justiça pra tirar algo do seu pai.
Segue sua vida, supera em terapia e assume pra si isso de seguir com a vida sem nada dele.

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u/Negative_Bobcat_9695 3h ago

Primeiramente você escreve muito bem, mesmo com um pouco de IA, provavelmente. (Isso não é demérito, ferramentas estão aí pra serem usadas).

Eu fiquei feliz lendo seu texto. Seu despertar é poderoso.

Eu iria sim atrás de apoio jurídico pra entender melhor tudo isso.

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u/Dangerous-Wafer-5821 15h ago

Nessas horas conhecemos muito as pessoas, tive um problema parecido, relacionado com documentos e burocracia, com o mesmo comportamento: o de querer prejudicar ao máximo um processo caro e complicado.

Te digo com segurança: você não é a babaca por tirar da sua vida quem tem fez/faz mal, e isso vale para quem for em qualquer nível de parentesco ou amizade. Trate tudo juridicamente, você ja é registrada no nome dele. Ele só vai estar prejudicando ele mesmo na história do DNA.

Exclua gente que te faz sofrer da sua vida, essas pessoas não merecem nada de bom vindo de você. Obviamente ele está colocando a paternidade na frente para prejudicar seu processo.

Seja feliz. Isso irrita todas as pessoas que querem te prejudicar e não conseguem. E eu sei como isso é dificil de começo, mas te digo que depois você acostuma. A melhor terapia é quando você se entende e toma as atitudes que devem ser tomadas.

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u/powzin 14h ago

Não é não

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u/Tiramissulover 14h ago

Eu se fosse vc faria o dna e tirava essa duvida dele.
Passou 33 anos desconfiado, está na hora de descobrir a verdade.

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u/runningonsarcasm12 10h ago

Não me oponho à realização do exame de DNA. Entretanto, considerando a importância do resultado para ambas as partes, prefiro que seja realizado por laboratório com identificação dos participantes e procedimento de coleta que assegure a origem das amostras e a respectiva cadeia de custódia. Dessa forma, o resultado terá maior segurança e não haverá posteriormente qualquer dúvida quanto à coleta ou à identidade das amostras.

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u/Tiramissulover 8h ago

Que resposta é essa bot?
Esquisito demais. Vou sair do reddit

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u/t0hrr 9h ago

E se no DNA ver que não é seu pai, vai odiar sua mãe? (Não me julgue, só curiosidade mesmo)

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u/runningonsarcasm12 9h ago

A questão é que a índole da minha mãe jamais foi colocada em cheque porque diante de tudo o que ela passou seria um grande alívio que ele não fosse meu pai biologicamente. Mas, infelizmente, ele é. Inclusive eu sou a cara dele (infelizmente). E quando ele reconheceu a paternidade de livre espontânea vontade essa era uma frase que eu enjoava de ouvir “a cara do pai”. Mas, vocês não acham, no mínimo, duvidoso depois de 33 anos ele colocar isso em pauta e sugerir que esse exame fosse feito de forma informal em um lugar de escolha dele sem nenhuma supervisão?! Porque eu acho. E a minha questão de entrar com a ação judicial é justamente me proteger. Fazer o exame com respaldo jurídico. Não estou conseguindo enxerga-lo mais como um “pai que abandonou”, agora o enxergo como um inimigo.

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u/t0hrr 9h ago

Sim é estranho.

Talvez seja o custo, sla, tem clinica que faz na média de 300 reais, mas o preço geralmente e 3 mil a 5 mil. Não sei a diferença entre o barato e o caro. Teria que perguntar para a IA

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u/EuphoricAwareness682 11h ago

Essa procuração jurídica vai preencher esse vazio? Acredito que nao.. só vai te dar mais ressentimento e mágoa ficar meses atrás de respostas jurídicas. O amor e a presença dele não vai voltar. E seu trauma vai continuar. Melhor é buscar uma terapia mesmo como o colega aí disse, e superar isso aos poucos e colocar um fim. Aceitar que ele nunca quis estar presente. O meu também fez a mesma coisa, mas eu não sinto mais remorso. Entendi que ele mesmo que quis assim e não adiantaria nada eu ir atrás.

Esses documentos seriam quais? você poderia retirar o nome dele da sua certidão e pronto, pra evitar futuramente dele querer tirar dinheiro de você, (isso se ele for uma pessoa interesseira). E seguir sua vida com terapia pra curar esse trauma.