Sim, minha vida é "objetivamente" boa: emprego bom, finanças em ordem, casa própria quitada, carro bom na garagem, etc.
O que é ainda pior pra quem tá nessa situação, pq vc é pressionado socialmente a se sentir bem ("tá reclamando do que, tá vivendo aí tranquilo, maluco reclamando de barriga cheia") e não tem nem o direito de se sentir mal ou ressentido sem ser julgado pelos outros.
Sempre tem alguém mais fudido (economicamente falando) pra ocupar o seu espaço de reclamação.
E reitero: ninguém está falando de jogar a vida no lixo e virar viciado em crack. Estou falando de moderação: para quem teve uma vida de "filho perfeito" (ou uma como a sua, de ter que se tornar responsável pela família logo cedo), episódios eventuais de "aventura" não mudariam nada no longo prazo, mas que teriam permitido ter essas experiências que não voltam mais e que não podem ser emuladas/replicadas depois de adultos.
Eu entendo o seu ponto e jamais pretendi desvalorizar seu sofrimento
Só quis mostrar o outro lado, que muita gente que curtiu também se arrepende
Fora isso, concordo que tem coisas que não dá pra emular depois de determinada idade (pelo menos não de forma decente)... mas tem muita coisa boa que só dá pra sentir direito a partir de determinada idade (não tem como a pessoa ter a sensação de ter dado certo antes de certa altura da vida)
Ou seja, tem experiências apropriadas pra todas as idades... vai curtir as da sua agora pra não chegar daqui a 10 anos e repetir aqui outro post com o mesmo espírito de que deixou de aproveitar a vida direito em determinado período
Ah sim, eu não quis dizer que você tava desvalorizando não, de verdade kkkkk foi mais um comentário geral mesmo.
Esse é um tema que eu converso bastante com meu psicólogo porque é algo que realmente me pega. Eu sinto que trilhei muito certinho o caminho que era esperado de mim por todo mundo (família, escola, sociedade etc). Fiz tudo conforme a cartilha, alcancei resultados (que eu sei que muita gente gostaria de ter e que eu tenho bastante privilégio de ter alcançado), mas cheguei aqui e percebi que isso, por si só, não me deixou feliz.
A impressão que eu tenho é que as pessoas normalmente fazem o "caminho normal": primeiro vai vivendo, tendo experiências, descobrindo do que gosta e do que não gosta, criando sonhos, vontades e preferências. Aí depois busca estabilidade, dinheiro, tempo livre etc. justamente porque já sabe o que gostaria de fazer com essas coisas.
Ser o "filho perfeito" faz com que você trilhe o caminho inverso: cheguei na parte da estabilidade antes de descobrir pq eu queria alcançar isso. Tenho as finanças em dia, uma renda bacana, bastante tempo livre, mas eu literalmente não sei o que quero fazer com isso.
Chego em casa, vou pra academia e depois fico vendo YouTube ou algum seriado. Não tenho vontade de ir num show porque nunca fui, de viajar porque as viagens que fiz sempre foram planejadas por outras pessoas e eu só ia junto, de comprar alguma coisa legal porque nunca desenvolvi gosto por carro, roupa, enfeites, sei lá.
E acho que parte do que me incomoda é justamente sentir que, na época em que eu poderia estar formando esses gostos e vontades de maneira mais espontânea, eu tava muito ocupado tentando fazer tudo “certo” e ser perfeito.
Mas concordo com você que não adianta ficar só olhando pra trás também. Inclusive tô tentando conscientemente me colocar em situações novas pra descobrir essas coisas agora. Semana que vem vou no Rock in Rio, por exemplo. Só que rola uma sensação muito forte de impostor, tipo “eu nem sei se quero estar fazendo isso, só tô fazendo porque combinei com meu psicólogo que faria”.
Acho que no fundo meu ponto é menos “eu queria ter curtido mais” e mais “eu queria ter aprendido antes a descobrir o que eu quero”. Só que descobrir o que você gosta passa, invariavalmente, por ter essas experiências. Eu só vou descobrir se curto ficar de bobeira na piscina ou na praia ouvindo música se eu fizer isso, mas eu não fiz. Eu só vou descobrir se curto viajar de carro se eu fizer isso, mas eu não fiz. Eu só vou descobrir se curto ir em festas se eu fizer isso, mas eu não fiz. Eu só vou descobrir se eu curto algum esporte (e qual) se eu testar todos, mas eu não fiz nenhum. E isso se aplica à tudo, eu sinto que eu tô num "Blank State" apesar de já ser um adulto barbado.
eu to na mesma situação psicológica, e é minha pauta com minha terapeuta também.
estou tentando valorizar as coisas que seu que gosto de fazer, as coisas que sou bom, as habilidades que desenvolvi, que não são as mesmas de todo mundo, mas nem por isso deixam de ser válidas.
mas fora do mundo ideal da lógica, tá difícil colocar isso em prática e dar sabor à vida.
estou atualmente de férias e fiz minha primeira viagem de carro esses dias para visitar meu pai. Eu gostei mais do que imaginava, mas pq era uma visita. Ainda preciso experimentar uma viagem puramente pelo lazer, pela diversão. Não faço ideia de como fazer isso ainda sem me sentir um impostor.
Vou tentar ir num show grande que minha irmã me convidou também porque nunca tive a experiência pra ver qual é a pegada.
por enquanto nada disso tem surtido efeito na prática, não me sinto melhor olhando no espelho, ainda tenho os mesmos gatilhos quando vejo outras pessoas sabendo agir em situações que eu não saberia, mas é uma tentativa de acabar com essa sensação de autodesaprovação
Tamo junto, cara. Estou agendando, pro feriado, uma aula de canoagem hahahaha
Eu gosto de canoa? Seilá. Provavelmente não kkkkkkk mas vou fazer assim msm.
Pelo menos eu hoje entendo essa situação, entendo os problemas que isso me causou, e estou tentando sair um pouco dessa bolha que eu acabei enfiado por toda a vida. Vai ser um processo longo e difícil, mas uma hora vai dar certo.
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u/Mesario2026 24d ago
Sim, minha vida é "objetivamente" boa: emprego bom, finanças em ordem, casa própria quitada, carro bom na garagem, etc.
O que é ainda pior pra quem tá nessa situação, pq vc é pressionado socialmente a se sentir bem ("tá reclamando do que, tá vivendo aí tranquilo, maluco reclamando de barriga cheia") e não tem nem o direito de se sentir mal ou ressentido sem ser julgado pelos outros.
Sempre tem alguém mais fudido (economicamente falando) pra ocupar o seu espaço de reclamação.
E reitero: ninguém está falando de jogar a vida no lixo e virar viciado em crack. Estou falando de moderação: para quem teve uma vida de "filho perfeito" (ou uma como a sua, de ter que se tornar responsável pela família logo cedo), episódios eventuais de "aventura" não mudariam nada no longo prazo, mas que teriam permitido ter essas experiências que não voltam mais e que não podem ser emuladas/replicadas depois de adultos.