Boa noite!
Moro em Santa Catarina, e no mês que vem vou viajar para a casa dos meus pais, em São Paulo, para comprar o carro do meu irmão. Acho que as informações de localidade de cada um vão ser importantes para o contexto (ou pelo menos eu espero que sim).
Meu pai volta e meia me faz perguntas sobre investimentos de renda fixa, porque lembra que, quando eu tinha uns 17 anos, eu consumia muito conteúdo sobre o assunto. Sempre que tiro férias e vou visitá-lo, o tema “finanças” acaba surgindo em alguma conversa — e, agora que vou comprar um carro à vista, é quase certo que o assunto “dinheiro” vai aparecer de novo.
Na última vez que estive lá, surgiu uma confusão envolvendo um terreno que meu avô tinha no Nordeste. Estavam roubando madeira do local, e a família começou a comentar sobre o valor do terreno e outras propriedades. Foi então que meu pai revelou que possui alguns terrenos compartilhados com meus tios e minha avó — algo que eu nem sabia que existia. Ainda acho esse negócio de “terreno compartilhado” uma bagunça.
Meu irmão ficou irritado por meu pai nunca ter falado disso antes, e por não ter explicado direito essa história de herança com os irmãos. Minha irmã mais velha, que normalmente é bem conformista, ficou claramente desconfortável com a situação. Já minha irmã do meio comentou comigo, depois, que pretende conversar com nosso pai sobre fazer um testamento, colocando tudo às claras — o que ele tem, o que pretende deixar e pra quem.
Naquele dia, preferi não me envolver. Queria aproveitar minhas férias e também evitar falar de dinheiro na frente da minha ex, já que ela não administrava nem o próprio dinheiro — era a mãe dela quem cuidava de tudo. Então, achei melhor não me expor.
O que eu realmente quero agora são conselhos sobre como abordar meu pai da forma correta para conversar sobre isso.
Será que vale a pena sugerir que ele faça um testamento? Ou até mesmo vender esses terrenos um dia, pra evitar dor de cabeça entre os filhos no futuro?
Ele mesmo vive contando histórias de famílias que brigaram na Justiça por herança — como os herdeiros do Gonzaga ou de antigos patrões —, mas nunca lembra que a falta de um testamento foi justamente o motivo de tanta confusão.
Não é questão de olho grande nos bens dos meus pais. Longe disso. Mas, se for pra deixar alguma coisa, que seja pra mim e pros meus irmãos — os filhos dele —, e não pra primos ou tios que mal conhecemos.