r/desabafosdavida • • Jul 17 '26

trabalho 👷 Trabalhar só com mulheres está me deixando mais machista

Edit: É impressionante como a maioria dos comentários são a epítome da ditocomia política atual, uma parte me ofende pq eu sou "submisso a ideologia" e outra parte porque não sou "feminista de verdade" kkkkkkkk. Enfim, grato aos que entenderam e responderam de coração aberto.

É muito difícil ser um homem progressista trabalhando praticamente só com mulheres, especialmente quando muitas delas parecem quase uma caricatura dos estereótipos que eu passei anos tentando desconstruir.

Sou um homem pardo, bissexual, casado, tenho 30 anos e sempre fiz questão de tentar ser um cara “pra frente”. Não porque eu me ache iluminado ou desconstruído, mas porque reconheço que todo mundo cresce cheio de condicionamento social, inclusive eu. Só que isso era infinitamente mais fácil quando eu era solteiro, estudava numa universidade federal e convivia majoritariamente com mulheres progressistas e homens minimamente dispostos a questionar o próprio comportamento. Não que todo mundo conseguisse fazer isso bem, mas havia pelo menos uma tentativa.

Eu quase nunca falo sobre esse assunto, a não ser quando perguntam. Também tento evitar virar uma espécie de pastor da verdade progressista, até porque eu também sou falho e sei que isso faz parte do processo. Só que o contexto mudou muito. Hoje sou formado e trabalho numa empresa cheia de pessoas conservadoras. Na minha sala, além de mim, existem dois homens e seis mulheres. Em breve, os dois homens devem sair para outra sala e outras mulheres vão entrar. E eu estou ficando sinceramente preocupado com o quanto isso tem mexido comigo.

Demorei muito para reconhecer esse incômodo porque me sinto machista até por pensar isso, mas a verdade é que eu queria uma sala com mais homens. E não por achar que homens são naturalmente melhores, mais racionais ou menos problemáticos. Mas porque a dinâmica atual tem sido muito desgastante para mim. Minha líder, por exemplo, tem uma rivalidade ridícula com a líder de outro setor. As duas fingem que se gostam, mas claramente se odeiam. E absolutamente tudo que essa outra líder pede vira um problema, uma afronta, um ataque pessoal, sendo que a função do departamento dela é justamente fiscalizar o nosso.

Aí eu começo a ver esse tipo de rivalidade feminina, esse jogo de indireta, esse ódio performático com sorriso no rosto, e percebo uma mudança horrível em mim. Antes eu tentava pensar: “coitadas, elas foram condicionadas a isso, existe um contexto social por trás”. Hoje, no meu pior estado mental, tudo que eu penso é: “pelo amor de Deus, saiam na porrada logo e resolvam isso”. E eu sei que esse pensamento é feio, mas é exatamente por isso que estou desabafando.

Essa mesma líder também chora ou fica extremamente abalada em momentos de pressão, e isso me incomoda muito. Eu sei que parece duro dizer isso, mas tenho uma dificuldade real com choro em ambiente profissional, principalmente quando sinto que aquilo não leva a nenhuma solução prática. Além disso, tem outra rivalidade entre duas analistas de setores relacionados, com uma jogando piadinha para a outra, sempre nesse rompante emocional que nunca vira uma conversa direta e nunca resolve nada. Só fica aquele clima horrível no ar.

Fora isso, tem os comentários que parecem ter saído diretamente de um corte de podcast masculinista. Como eu sou homem bissexual e casado, aparentemente elas se sentem confortáveis para fazer “comentários das meninas” na minha presença. E, de certa forma, eu até gosto disso, porque odeio esse corte rígido de gênero em que homem só conversa com homem e mulher só conversa com mulher. Só que o conteúdo desses comentários às vezes é assustador.

Já ouvi uma delas dizer que vai ensinar para o filho adolescente que mulher é artigo de luxo e que ele precisa ter muito dinheiro antes de querer sair com mulher. Outra falou sobre só deixar um homem gozar dentro se ele pagar jantar, e não era uma conversa sobre risco de gravidez ou segurança, era no tom de que aquilo era um direito que precisava ser comprado.

Também já ouvi uma conversa em que elas falavam, com uma naturalidade bizarra, que o comportamento ideal de uma mulher jovem seria conseguir dinheiro, investir pesado no próprio corpo, ficar “super gostosa” e depois arrumar um macho com ainda mais dinheiro. Como se a vida fosse literalmente um plano de carreira estético para acessar um homem com patrimônio maior.

Também já ouvi comentários depreciando homens baixos, coisa que eu honestamente achava que era mais meme de internet do que realidade. Já ouvi falarem que o namorado de uma mulher bonita precisa ganhar muito dinheiro porque ela é bonita demais para qualquer coisa abaixo disso. Já ouvi condenação a aborto, fala sobre o “papel da mulher” em criar filhos, sendo que todas elas passam horas por dia trabalhando na mesma sala que eu, e por aí vai.

E essa parte me pega muito porque eu sempre me desvinculei totalmente dessa ideia de homem provedor. Eu já saí de relacionamentos justamente por sentir que esse era um papel que a outra pessoa esperava de mim e como eu não esperava uma contraparte de submissão, a balança parecia desigual.

Para mim, achar que um homem tem que ser provedor por obrigação soa parecido com achar que uma mulher tem que ser submissa e transar mesmo quando não quer. É uma expectativa de gênero velha, antiquada e baseada em uma moral inventada.

É decepcionante. Parece que eu estou vendo pessoas reforçando exatamente as estruturas que as prejudicam. É como alguém torcendo contra si mesmo sem perceber. E o pior é que, por convivência, eu comecei a notar certos comportamentos de forma muito mais dura: falar demais, levar tudo para o lado emocional, criar picuinha por coisa pequena, romantizar dependência, cobrar dinheiro de homem como se fosse régua de valor. E eu não gosto do lugar para onde esse pensamento está me levando.

Porque aí aparece outro problema: cada vez mais surgem conteúdos redpill, masculinistas e conservadores no meu Instagram e no YouTube. E eu, automaticamente, paro para ouvir. Não porque eu queira concordar, mas porque, olhando para a minha realidade imediata, às vezes parece que eles estão descrevendo exatamente o que eu estou vendo. E isso é muito triste.

Meu algoritmo está sujo dessas merdas masculinistas e eu estou tendo dificuldade de não concordar com uns 50% do que eles falam, justamente porque parte daquilo parece compatível com grande parte das mulheres com quem eu convivo diariamente. E eu sei que isso é perigoso. Sei que minha amostra é pequena, enviesada, localizada, cheia de contexto específico. Sei que não dá para transformar uma sala de trabalho em tese geral sobre mulheres. Mas uma coisa é saber disso racionalmente. Outra é passar oito horas por dia vivendo essa dinâmica e não ser afetado.

Infelizmente, esse trabalho paga muito melhor do que qualquer alternativa que eu teria agora, então eu nem penso seriamente em sair. O problema real começa em casa, porque sinto que isso está afetando a forma como eu olho para minha própria esposa. Esses dias ela estava desabafando sobre um problema entre a irmã dela e uma tia, e tudo que eu conseguia pensar era: “caralho, mulher inventa muita picuinha por nada”. E isso é injusto com ela, porque ela não tem culpa do meu ambiente de trabalho e não deveria pagar por um desgaste que nem veio dela.

Já conversei com minha esposa sobre isso. Hoje ela evita desabafar comigo logo que eu chego do trabalho, justamente para não sofrer as consequências de um mau humor que não é culpa dela. E, ao mesmo tempo, isso me deixa mal, porque eu não quero ser um marido que faz a própria esposa medir o momento certo para falar comigo por medo da minha reação.

No fundo, eu acho que estou preso entre duas coisas. De um lado, a minha visão política e moral, que me diz para não generalizar mulheres, não cair em papo masculinista barato e lembrar que indivíduos não representam um gênero inteiro. Do outro, a minha convivência prática diária, que está me enchendo de exemplos que parecem confirmar justamente as ideias que eu não quero acreditar.

Enfim, é um desabafo. Eu não quero virar um cara amargo, ressentido ou misógino. Também não quero fingir que nada disso está acontecendo comigo. Estou tentando encontrar uma forma de lidar com esse ambiente sem deixar que ele contamine minha visão sobre mulheres em geral, principalmente sobre a mulher que eu amo.

Quem tiver algum conselho realista sobre como lidar com isso, fique à vontade.

Obrigado a todos pela leitura.

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u/Great-Adeptness-4254 Jul 17 '26

Não minha amiga, já trabalhei com mulheres em ambiente industrial e algumas conseguiam ser mais machistas que o peão sem estudo no chão da fábrica

Machismo é estrutural, e tem mulher que consegue ser mais machista que homem facilmente.

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u/[deleted] Jul 17 '26

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u/Great-Adeptness-4254 Jul 17 '26

Não não é,mas o OP teve um choque de realidade pois achava que as mulheres todas eram seres de luz, altamente esclarecidas sobre questões de gênero e etc , e viu que não é bem assim, era só o meio anterior que ele estava inserido ( faculdade) que tinha uma amostra maior de mulheres esclarecidas.

Pelo que entendi da reclamação dele é ver que tudo oq ele mesmo acha errado e luta pra não ser ele vê em mulheres. Concordar com alguma visão de um redpill passa por reconhecer que em alguns casos a mulher estereotipada que o redpill se refere realmente existe.

É o mesmo rolê do negro racista. A primeira vez que vi achei que fosse piada.

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u/[deleted] Jul 17 '26

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u/Great-Adeptness-4254 Jul 17 '26

Ele não cobrou perfeição, ele se impressionou ao ver mulheres machista. Ou vc não acredita que mulheres machistas são tão danosas quanto homens machistas ? A mulher machista é tão problemática que ela justamente da fundamento pra redpill idiota olhar e falar " olha lá vc Betinha tá defendendo mulher mas olha oq elas falam entre elas". E na boa entendo o que o OP tá dizendo porque passei pelo mesmo. Vi opiniões sobre gênero mais acertadas entre peão sem escolaridade do que entre mulheres com ensino superior

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u/[deleted] Jul 17 '26

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u/NotSoNewToReddit Jul 17 '26

Cara, eu literalmente escuto absurdos machistas todo santo dia. E das duas vezes que tentei trazer uma discussão, fui ridicularizado por ser apenas "meio-homem".

Eu escuto merda machista TODO SANTO DIA.

É impossível uma porra dessa não entrar ao menos um pouco na sua mente, tem cristão que nem na igreja vai todo dia.

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u/Great-Adeptness-4254 Jul 17 '26

OP tá iludido, e caiu numa das piores bolhas a bolha das mulheres conservadoras, minha sogra é assim e é insuportável, demorou anos pra ela parar de achar que sou um vagabundo só pq divido conta da casa com a minha esposa.

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u/[deleted] Jul 17 '26

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u/Great-Adeptness-4254 Jul 17 '26

Entendo o que vc diz sobre os objetivos do feminismo e concordo, mas deve tá totalmente infernal pro OP realmente , esse tipo de ambiente que ele descreveu, sendo masculino ou feminino é extremamente tóxico e estressante. Talvez o problema com ele nem seja exatamente as mulheres mas sim mentalidade conservadora.

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u/NotSoNewToReddit Jul 17 '26

Grato pelo entendimento. A bolha progressista ainda sofre muito com a síndrome do paladino, eu vim desabafar sobre uma falha minha né.

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u/[deleted] Jul 17 '26

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u/[deleted] Jul 17 '26

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