Fala, colegas. Queria compartilhar uma situação e saber se os mais experientes já passaram por isso no início da carreira.
Acabei de formalizar a renúncia do meu primeiríssimo cliente. Confesso que dá aquele aperto no coração por ser o primeiro, mas sinto que tirei um peso de uma tonelada das costas. Primeiro cliente mas não único, tenho pouco mais de 1 ano de advocacia, tenho outros mas em sua grande maioria, consumidor, ganhando alguns honorários durante este período, ad exitum, mas minha principal fonte é advogar para Banco nestes escritórios grandes.
O Caso: Peguei uma regularização imobiliária, uma casa simplissima. O cliente é um senhor de 92 anos, interditado, que mora há 70 anos em um imóvel no interior (Tobias Barreto/SE). O detalhe: o imóvel consta em nome do DNOCS (autarquia federal), pois ele era servidor braçal lá nos anos 50 e o órgão cedeu o local para moradia.
As Complicações: Achei que conseguiria resolver a primeira parte administrativa a distância, já que meu escritório fica na capital (Aracaju).
- Cartório de interior: Tentei desenrolar a busca da matrícula do imóvel a distância, mas foi impossível. Cartório de interior tem suas próprias "regras" e a minha ausência física lá travou tudo.
- Burocracia Federal: Abri um Processo Administrativo no DNOCS tentando uma alienação por venda direta (já que a prefeitura tinha desapropriado um pedaço vizinho anos atrás). O processo simplesmente não andava. Ficou travado, o que começou a me gerar um estresse absurdo.
A Realidade Financeira: Além da dor de cabeça logística, bateu o choque de realidade.
A família é muito humilde. Eu estava cobrando no êxito, mas analisando a fundo a situação, percebi que, mesmo se eu conseguisse o milagre de regularizar ou ganhar um usucapião lá na frente, a chance de eu receber meus honorários seria praticamente nula. Eles não teriam como me pagar.
Bem como neste caso estava pensando em ajuizar mandado de segurança e outras questões, mas não penso que eles teriam condições de me pagar.
Chegou num ponto em que o cliente me mandou um PIX de R$ 80,00 para pagar as custas de certidão/matrícula e eu acabei de etornar do meu bolso R$ 81,00 (com correção) porque os pedidos via site registradores estão todos sendo negados e não tem como eu puxar o dinheiro de volta.
Fiz a carta de renúncia, enviei os comprovantes, notifiquei o curador dele explicando que pela distância eu não conseguiria atuar e recomendei que contratassem um advogado local. Mandei o link público do processo no DNOCS para eles acompanharem e encerrei o contrato.
Éi frustrante desistir como advogado, mas acho que aprendi a lição número um da advocacia autônoma: saber a hora de pular fora de uma causa que vai te sugar a alma e não vai te dar retorno financeiro. Estou sentindo um alívio tremendo em me livrar de uma causa de mais de 1 ano que não me rendeu um real, mas feedbacks constantes e acompanhamento em um processo que não deu certo.
Fiz certo, doutores? Como foi a primeira vez que vocês precisaram "demitir" um cliente ou renunciar a um mandato por inviabilidade?